A Polícia Federal (PF) identificou uma sala oculta em um hangar do Aeroporto Internacional de Brasília utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (21), o espaço apresentava uma estrutura que, na avaliação dos investigadores, poderia ser utilizada para armazenar dinheiro em espécie.
A descoberta foi relatada em um documento da PF obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela TV Globo. No compartimento, os agentes encontraram uma máquina de contar cédulas, malas vazias e divisórias internas compatíveis, segundo a investigação, com o armazenamento de valores.
O local foi identificado em agosto, durante uma operação de busca e apreensão nos hangares 36 e 37 da área executiva do aeroporto. Após concluírem as diligências iniciais, os policiais receberam uma denúncia anônima sobre a existência de um espaço escondido e decidiram retornar ao endereço para verificar a informação.
A sala estava atrás de uma estrutura de madeira e de uma porta metálica. Apesar dos indícios que chamaram a atenção dos investigadores, nenhuma quantia em dinheiro foi encontrada no compartimento. A PF considera a possibilidade de que valores tenham sido retirados antes do retorno dos agentes e solicitou exames periciais para tentar identificar quem teve contato com o local.
Advogado contesta suspeitas
Willer Tomaz negou que o compartimento tenha sido utilizado para esconder recursos de origem não declarada. Segundo a defesa, a sala e os equipamentos fazem parte da estrutura operacional de empresas que prestam serviços relacionados ao transporte de valores.
O advogado classificou como infundada a hipótese de utilização do espaço para guardar dinheiro irregular e afirmou que as instalações têm finalidade empresarial legítima.
Investigação também envolve aeronaves
Durante a operação realizada em agosto, a Polícia Federal apreendeu quatro aeronaves vinculadas às empresas de Tomaz e recolheu documentos, listas de passageiros e diários de bordo. O objetivo é identificar quem utilizou os aviões e helicópteros, que também eram disponibilizados para serviços de táxi aéreo.
Os investigadores apuram a hipótese de que aeronaves possam ter sido utilizadas para transportar dinheiro em espécie. A operação que levou às buscas nos hangares estava relacionada a uma investigação sobre suspeitas de ocultação de patrimônio envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
A relação de amizade entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro também ganhou atenção no contexto das apurações. No entanto, a descoberta da sala secreta, por si só, não comprova que o senador tenha utilizado o compartimento ou participado de eventuais irregularidades relacionadas ao espaço.
As investigações seguem em andamento para esclarecer a finalidade do ambiente e a possível movimentação de valores.


