quarta-feira, 21 de outubro
Youtube
🔴 AO VIVO
🔴 AO VIVO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que não ocupava cargo formal no Poder Executivo durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, teria exercido influência política sobre a administração dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro entre 2019 e 2022. As informações foram publicadas pela Agência Pública em reportagem que reúne relatos de gestores e ex-gestores hospitalares, parlamentares, servidores públicos e integrantes de órgãos de controle.

Um dos pontos centrais da apuração é a suposta participação do grupo político ligado ao senador na escolha de dirigentes das unidades e nas decisões relacionadas à administração hospitalar. O período investigado coincide com a pandemia de Covid-19, quando a rede federal de saúde enfrentou dificuldades operacionais e problemas na oferta de atendimento à população.

Em março de 2026, o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) acusou publicamente Flávio Bolsonaro de liderar um esquema de corrupção envolvendo os hospitais federais fluminenses. Na ocasião, afirmou que a estrutura de indicações políticas e a atuação de empresas interessadas em licitações estariam vinculadas a um grupo que, segundo ele, era comandado pelo senador.

A declaração é uma acusação atribuída ao parlamentar e não deve ser confundida, por si só, com uma conclusão judicial sobre a responsabilidade de Flávio Bolsonaro.

Contratos sob questionamento

A reportagem também aponta problemas em contratos administrativos, incluindo serviços de limpeza, vigilância e lavanderia. Segundo um diagnóstico do Ministério da Saúde elaborado em fevereiro de 2023, 72% dos recursos destinados aos seis hospitais eram consumidos com despesas de custeio. Auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram falhas e indícios de sobrepreço em processos de contratação.

Durante uma visita realizada em abril de 2023, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados identificou 735 leitos inoperantes ou bloqueados, além de obras paralisadas e equipamentos sem utilização em unidades da rede federal do Rio.

O caso também chegou ao debate político nacional. Em agosto de 2026, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou ao Supremo Tribunal Federal a ampliação de uma investigação para apurar se Flávio Bolsonaro teve participação nas irregularidades relacionadas à gestão dos hospitais. O pedido se baseou, entre outros elementos, em auditorias que apontaram problemas em contratos.

Procurado pela Agência Pública, Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de entrevista encaminhados por meio de sua assessoria. Marcelo Lamberti, ex-gestor ligado à administração hospitalar no período, afirmou que os atos de gestão estão documentados nos sistemas oficiais e que eventuais irregularidades foram submetidas aos órgãos de controle. Ele também rejeitou as críticas que classificou como narrativas sem conteúdo técnico.

As informações levantadas pela reportagem reacendem a discussão sobre a influência política na administração de hospitais públicos e sobre os mecanismos de fiscalização dos recursos destinados à saúde, especialmente durante a pandemia de Covid-19.