terça-feira, 27 de outubro
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou aproximadamente 71% dos novos votos registrados no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo análise de Bruno Soller, analista político e sócio do instituto Real Time Big Data. Em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (26), ele afirmou que o petista recebeu quase 10 milhões dos cerca de 14 milhões de votos adicionais contabilizados em relação ao primeiro turno.

O resultado surpreendeu os responsáveis pelas projeções eleitorais. De acordo com Soller, os 24 modelos probabilísticos elaborados pelo instituto indicavam uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial.

“Foi algo muito fora da curva na vitória do presidente Lula”, avaliou o analista, ao comentar a dificuldade de antecipar a mudança no comportamento do eleitorado.

Rejeição ao bolsonarismo pode ter influenciado o resultado

Na avaliação de Soller, a vitória de Lula pode ser explicada por uma combinação de fatores, entre eles a rejeição de parte do eleitorado ao bolsonarismo e os efeitos de medidas sociais e econômicas adotadas pelo governo federal durante a campanha.

O analista destacou que ainda será necessário avaliar em que medida os benefícios concedidos pelo governo, que já contavam com aprovação de parte da população, se converteram efetivamente em votos nas urnas.

Segundo ele, a entrada de milhões de novos votos na disputa indica que o presidente conseguiu mobilizar eleitores que não haviam votado nele na primeira etapa da eleição.

Apesar das hipóteses levantadas, Soller ressaltou que não existe, até o momento, uma explicação única capaz de esclarecer a dimensão da mudança eleitoral.

Virada histórica em 213 municípios

Outro dado que chamou a atenção foi a mudança de preferência eleitoral em centenas de cidades brasileiras. Lula venceu no segundo turno em 213 municípios onde Flávio Bolsonaro havia obtido a maioria dos votos na primeira votação, realizada em 4 de outubro, segundo levantamento publicado pela CNN Brasil.

Minas Gerais liderou a lista, com 76 municípios. Em seguida, aparecem São Paulo, com 33; Paraná, com 20; Rio Grande do Sul, com 19; Goiás, com 14; e Tocantins, com 12. As mudanças ocorreram em 18 estados e incluíram as capitais Rio de Janeiro e Macapá.

No resultado nacional, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro terminou a disputa com 59.826.041 votos, ou 48,21%, revertendo a vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos obtida pelo senador no primeiro turno.

Sudeste teve papel importante na vitória

Na análise de Bruno Soller, o avanço de Lula no Sudeste foi um dos fatores importantes para o resultado. São Paulo registrou mais de 2,1 milhões de votos adicionais para o petista em comparação com o primeiro turno. No Rio de Janeiro, o crescimento foi de aproximadamente 800 mil votos, enquanto Minas Gerais apresentou aumento superior a 1 milhão.

Os números ajudam a dimensionar a mudança na disputa entre os dois turnos. Para o analista, a combinação entre a mobilização de eleitores, a rejeição ao bolsonarismo e a possível influência das medidas sociais do governo precisa ser examinada para compreender como Lula conseguiu superar as projeções e conquistar um novo mandato.