A defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a retirada do canal de WhatsApp “Exército do Lula” do registro oficial da candidatura à reeleição. Em petição apresentada na quinta-feira (22), os advogados pediram o cancelamento da anotação do endereço eletrônico da ferramenta no sistema da Justiça Eleitoral.
A justificativa apresentada é que o canal não possui vínculo formal com a estrutura da campanha petista, apesar de ter sido incluído no cadastro eleitoral em 13 de outubro, após determinações da Justiça Eleitoral. Segundo a defesa, o registro ocorreu para cumprir uma ordem judicial, sem que isso significasse que a campanha assumiria o controle da ferramenta.
O canal é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e reúne mais de 8,3 milhões de inscritos. O espaço é utilizado para divulgar mensagens, vídeos, áudios e orientações destinadas a mobilizar apoiadores de Lula.
Defesa apresenta argumentos para desvincular canal
Na petição, os advogados sustentam que o “Exército do Lula” foi criado e é administrado por Janones como uma iniciativa individual de apoio político. A defesa afirma que o canal não recebe dinheiro, bens ou serviços da campanha, dos partidos ou da coligação, nem conta com funcionários, estrutura técnica ou suporte material fornecido pela candidatura.
Outro argumento é que não existe coordenação formal da campanha para direcionar seguidores ao canal. Segundo os advogados, Lula e sua equipe também não controlam as publicações, a frequência das mensagens ou as metas de mobilização estabelecidas pelo administrador.
A defesa acrescenta que eventuais participações do presidente em conteúdos produzidos por Janones, assim como menções públicas à ferramenta, não seriam suficientes, isoladamente, para comprovar um vínculo oficial com a campanha.
O próprio deputado também solicitou a retirada do endereço eletrônico do registro eleitoral, reforçando a posição de que o canal deve ser tratado como uma iniciativa independente de apoio ao candidato.
Pedido ocorre em meio a questionamentos de Flávio Bolsonaro
A solicitação de retirada foi apresentada após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) questionar a atuação do canal na Justiça Eleitoral. O grupo adversário busca estabelecer se a ferramenta promove ações coordenadas nas redes sociais em benefício de Lula.
Na quinta-feira (22), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta apresentasse, em até 24 horas, um relatório técnico sobre o funcionamento do canal. A análise deve esclarecer possíveis ações coordenadas entre contas e plataformas, padrões de engajamento, circulação de conteúdos e eventual impulsionamento pago. Google e X também foram acionados para prestar informações sobre possíveis ações coordenadas envolvendo hashtags.
A disputa ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O caso envolve a definição dos critérios que determinam quando canais administrados por apoiadores devem ser considerados parte da estrutura oficial de uma campanha eleitoral.


