sábado, 24 de outubro
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Tratamento experimental desenvolvido pela Moderna e pela MSD combina tecnologia de RNA mensageiro com imunoterapia e apresentou resultados positivos em estudo clínico de fase 3.

Uma vacina experimental contra o câncer desenvolvida pelas farmacêuticas Moderna e MSD apresentou resultados promissores no tratamento do melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. De acordo com dados divulgados pelas empresas na quinta-feira (22), a combinação da vacina intismeran autogene com o medicamento Keytruda reduziu em 42% o risco de recorrência da doença ou morte, em comparação com o uso isolado da imunoterapia.

Os resultados são provenientes do estudo clínico de fase 3, etapa avançada de pesquisa que avalia a eficácia e a segurança de novos tratamentos antes de uma possível aprovação pelas autoridades sanitárias. A pesquisa envolveu 1.137 pacientes que passaram por cirurgia para a retirada do melanoma.

O tratamento representa um avanço na busca por terapias personalizadas contra o câncer, pois utiliza informações genéticas específicas do tumor de cada paciente para estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas.

Como funciona a vacina contra o câncer?

Diferentemente das vacinas tradicionais, desenvolvidas para prevenir doenças antes que elas ocorram, a intismeran autogene foi projetada para tratar pacientes que já tiveram um tumor. A tecnologia utiliza o RNA mensageiro (mRNA) para orientar o organismo a reconhecer características específicas das células cancerígenas.

Para produzir o tratamento, os pesquisadores analisam uma amostra do tumor e identificam suas mutações genéticas. Com base nessas informações, a vacina é personalizada para estimular uma resposta imunológica direcionada às células que apresentam essas alterações.

A terapia foi testada em conjunto com o Keytruda, medicamento da MSD que ajuda o sistema imunológico a combater o câncer. A proposta é combinar a capacidade de reconhecimento das células tumorais estimulada pela vacina com a ação da imunoterapia.

Resultados do estudo

Os dados também indicaram uma redução de 38% no risco de disseminação do melanoma ou morte relacionada a esse desfecho. Após dois anos, 82,2% dos pacientes que receberam a combinação permaneciam livres da doença, contra 70% daqueles tratados apenas com Keytruda.

Apesar dos resultados positivos, as empresas ainda precisam avançar no processo regulatório. A vacina continua sendo experimental, e os dados divulgados não significam que o tratamento já esteja aprovado para uso geral.

A expectativa das farmacêuticas é solicitar autorização para comercialização nos Estados Unidos. A tecnologia também está sendo investigada em estudos envolvendo outros tipos de câncer, como os de pulmão, rim e bexiga.