O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em uma proposta de colaboração premiada que um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) receberia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas relacionadas à operação do cartão de crédito consignado Credcesta, na Bahia.
O relato consta de uma proposta de delação apresentada por Vorcaro e posteriormente rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as informações divulgadas, os investigadores consideraram que não havia elementos suficientes para corroborar as declarações apresentadas pelo ex-banqueiro.
De acordo com o relato, aproximadamente R$ 2 milhões mensais seriam repassados por meio de um contrato envolvendo o Banco Master e a empresa PKL One, que explorava o Credcesta, enquanto outros R$ 1 milhão seriam pagos em espécie. Vorcaro afirmou, porém, que não teria presenciado diretamente os supostos pagamentos e que tomou conhecimento deles por meio de seu ex-sócio Augusto Lima.
A proposta de delação também menciona a relação entre o grupo ligado a Wagner e negócios envolvendo o Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia. O caso faz parte das investigações relacionadas ao Banco Master e às relações mantidas por seus antigos controladores com diferentes agentes públicos e empresários.
As novas informações aparecem em meio a uma investigação da Polícia Federal que já apontou outros elementos envolvendo o senador. Documentos tornados públicos anteriormente mencionam, por exemplo, uma transferência de R$ 3,5 milhões da PKL One para uma empresa ligada ao enteado de Wagner, além de tratativas envolvendo um apartamento em Salvador. A PF considera esses elementos como parte de uma apuração ainda em andamento.
Wagner é investigado no caso e nega irregularidades. O senador afirma que pretende demonstrar sua inocência. As acusações apresentadas por Vorcaro na proposta de colaboração não equivalem, por si só, a uma comprovação dos fatos narrados, especialmente porque a tentativa de acordo foi rejeitada pelas autoridades responsáveis pela análise da delação.
As investigações sobre as relações entre o Banco Master e agentes públicos continuam, e os documentos já divulgados vêm sendo analisados pelas autoridades para verificar a existência de elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas.



