O tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia Luiz Augusto Normanha de Carvalho, preso preventivamente nesta quarta-feira (7), durante a terceira fase da Operação Terra Justa, ocupa atualmente o cargo de diretor do Colégio da Polícia Militar (CPM) de Bom Jesus da Lapa, no oeste baiano.
O oficial é investigado por suspeita de envolvimento com uma milícia armada que atuava na região de Correntina. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), Normanha teria recebido R$ 286 mil do sargento da reserva Carlos Erlani Gonçalves Santos, apontado pelo órgão como líder do grupo criminoso.
De acordo com as investigações, os repasses ao tenente-coronel eram frequentes e chegavam, em alguns casos, a R$ 15 mil por mês. O MP-BA também identificou o pagamento de despesas pessoais do oficial, incluindo boletos relacionados à faculdade de uma filha.
A acusação sustenta que os pagamentos tinham como objetivo garantir que o policial deixasse de cumprir sua função de combater a atuação da milícia. Ainda segundo o Ministério Público, o tenente-coronel teria contribuído para o funcionamento do grupo, inclusive auxiliando na definição de escalas de vigilantes armados.
A milícia investigada teria atuado por mais de uma década na região de Correntina, prestando serviços clandestinos de segurança para grileiros e utilizando ameaças para tentar expulsar comunidades tradicionais de áreas disputadas.
Normanha também é acusado de corrupção passiva militar. Antes de assumir a direção do CPM de Bom Jesus da Lapa, ele comandou a 30ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) de Santa Maria da Vitória até 2023. A prisão preventiva ocorreu em Santa Maria da Vitória, onde também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados ao oficial.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e a prisão ocorre no curso do processo criminal.



