quinta-feira, 22 de outubro
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Uma reportagem publicada pelo site americano Payday Report, na terça-feira (20), levantou questionamentos sobre a participação do RenovaBR, organização de formação política apoiada pelo apresentador Luciano Huck, em um programa promovido pelo governo de Donald Trump. Segundo a publicação, o diretor-executivo da entidade, Rodrigo Matsumoto Cobra, participou de uma iniciativa financiada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, com atividades relacionadas à formação de lideranças e ao funcionamento do processo eleitoral.

De acordo com a investigação assinada pelo jornalista Mike Elk, Rodrigo Cobra foi convidado pelo Consulado-Geral dos Estados Unidos em São Paulo para participar do International Visitor Leadership Program (IVLP), programa de intercâmbio de lideranças do governo americano. Em julho de 2026, ele viajou aos Estados Unidos para uma agenda de aproximadamente três semanas, com despesas custeadas pelo governo norte-americano.

A programação, intitulada “Freedom 250: Youth in the Political Process”, abordou temas como comunicação política, estratégias para campanhas, preparação de locais de votação, monitoramento eleitoral, apuração de votos e procedimentos de segurança. Após a viagem, Cobra afirmou ter iniciado conversas com representantes do programa e do consulado americano para discutir uma possível iniciativa voltada a lideranças políticas brasileiras.

A reportagem questionou a natureza dessa aproximação e possíveis parcerias relacionadas às eleições brasileiras de 2026. Entretanto, o RenovaBR nega ter recebido recursos financeiros de governos estrangeiros e afirma que a participação de seu diretor-executivo ocorreu exclusivamente no âmbito de um intercâmbio institucional.

RenovaBR nega financiamento estrangeiro

Em nota de esclarecimento divulgada após a repercussão do caso, o RenovaBR declarou que nunca recebeu dinheiro do governo dos Estados Unidos nem de qualquer outro governo estrangeiro. A organização também negou que a participação no programa americano tenha representado apoio a candidaturas ou compromisso de atuação político-eleitoral.

A entidade se apresenta como uma escola suprapartidária de formação política, fundada em 2017, que prepara lideranças de diferentes partidos e correntes ideológicas. Sobre Luciano Huck, o RenovaBR afirmou que o apresentador apoia a iniciativa desde sua criação, mas não ocupa cargo na organização nem participa de sua gestão, de suas parcerias ou de suas decisões institucionais.

Luciano Huck reage à denúncia

O apresentador também se manifestou sobre o assunto. Em publicação nas redes sociais, na quarta-feira (21), Huck classificou as informações como “fake news” e compartilhou o comunicado divulgado pelo RenovaBR.

A defesa do apresentador negou qualquer participação em esquema de influência estrangeira nas eleições brasileiras. Segundo a manifestação encaminhada ao Payday Report, Huck nunca solicitou, aceitou ou recebeu financiamento destinado a influenciar eleições no Brasil.

O caso ganhou repercussão em meio ao debate sobre a participação de governos estrangeiros em iniciativas políticas no país. Até o momento, as informações divulgadas apontam para a participação de um dirigente do RenovaBR em um programa oficial de intercâmbio americano, enquanto a organização nega ter recebido financiamento estrangeiro. Não há, nas informações apresentadas pela reportagem, comprovação de repasses financeiros diretos a Luciano Huck para influenciar o resultado das eleições brasileiras.