Salvador perdeu, nesta segunda-feira (19), uma das principais referências da culinária e da cultura baiana. Regina dos Santos Conceição, conhecida popularmente como Regina do Acarajé, morreu aos 74 anos, no Hospital Roberto Santos, na capital baiana. A informação foi confirmada por familiares nas redes sociais.
Dona de um dos tabuleiros mais tradicionais da cidade, Regina dedicou mais de cinco décadas à preparação e à venda de acarajé, conquistando uma clientela fiel e reconhecimento entre moradores e turistas. Sua trajetória ficou especialmente ligada aos bairros do Rio Vermelho e da Graça, onde manteve pontos de venda que se tornaram conhecidos em Salvador.
A causa da morte não foi divulgada oficialmente. Segundo informações publicadas pela imprensa baiana, a baiana enfrentava problemas de saúde e permaneceu internada por aproximadamente duas semanas. Durante o período de hospitalização, ela apresentou um quadro de bradicardia, caracterizado pela redução da frequência dos batimentos cardíacos.
Família lamenta a morte
O falecimento foi anunciado em uma mensagem publicada nas redes sociais ligadas à baiana. Na homenagem, familiares destacaram o amor, a generosidade, a alegria e a fé que marcaram a vida de Regina.
“É com o coração apertado que comunicamos o falecimento da nossa querida mãe, avó, amiga e grande exemplo de fé, nossa rainha!”, diz um trecho da nota.
A família também ressaltou a importância da convivência com Regina e afirmou que suas lembranças permanecerão vivas entre parentes, amigos e pessoas que acompanharam sua trajetória.
Mais de 50 anos dedicados ao acarajé
Neta de uma baiana de acarajé, Regina cresceu em contato com a tradição culinária que mais tarde se tornaria sua profissão. Ela começou a trabalhar no ofício aos 19 anos e construiu uma história de mais de cinco décadas dedicada à preparação de um dos alimentos mais emblemáticos da Bahia.
Com o passar dos anos, seu nome passou a integrar a história da gastronomia popular de Salvador. Ao lado de Dinha e Cira, Regina ficou conhecida como uma das integrantes da chamada “Santíssima Trindade do Acarajé”, expressão usada para homenagear três baianas que se tornaram referências na capital baiana.
As três receberam a chave da cidade durante o Carnaval de 2003. Com as mortes de Dinha, em 2008, e Cira, em 2020, Regina era considerada a última representante viva desse grupo histórico.
Despedida em Salvador
O velório de Regina do Acarajé está previsto para esta terça-feira (20), a partir das 12h, no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador, conforme informações divulgadas pela família.
A morte da baiana representa uma perda para a cultura popular da capital, onde o acarajé ultrapassa a gastronomia e carrega tradições históricas, religiosas e culturais. Seu legado permanece na memória de gerações de clientes e na história das baianas que ajudaram a preservar esse patrimônio da Bahia.



