quarta-feira, 28 de outubro
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Uma psicóloga e empresária de Goiânia, Mara Suassuna, provocou repercussão nas redes sociais após afirmar que recebeu solicitações de empresários para excluir candidatos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) de processos seletivos. O caso ganhou destaque após a publicação de um vídeo na segunda-feira (26), no qual a profissional defende que empresas contratem funcionários cujos valores sejam compatíveis com os de seus gestores.

Responsável por uma empresa de recrutamento e seleção, Mara relatou ter recebido ligações e mensagens de clientes interessados em contratar novos colaboradores, mas que estabeleceram como condição a não contratação de pessoas identificadas com o PT.

Durante a gravação, a psicóloga recorreu à Teoria dos Valores Humanos Básicos, desenvolvida pelo psicólogo Shalom H. Schwartz, para justificar seu posicionamento. Segundo ela, os princípios pessoais dos profissionais influenciam suas escolhas e comportamentos, sendo importante que exista compatibilidade entre os valores dos funcionários e os das organizações.

Mara também defendeu que empresários e dirigentes priorizem candidatos alinhados à missão e à visão de suas empresas. Ao final do vídeo, ela convidou empresários interessados em contratar profissionais de direita a procurar os serviços de sua empresa.

Psicóloga se pronuncia após repercussão

Após a repercussão das declarações, Mara publicou uma nota na qual afirmou que o alinhamento de valores organizacionais não significa necessariamente alinhamento político. Segundo ela, a proposta é identificar profissionais que compartilhem princípios como ética, responsabilidade, respeito e integridade.

A psicóloga também declarou que a diversidade de pensamento pode fortalecer as organizações e argumentou que divergências de opinião não representam, por si só, um problema para o ambiente de trabalho.

O que diz a legislação

A discussão levantou questionamentos sobre os limites éticos e legais da utilização de critérios políticos em processos de recrutamento. A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias que restrinjam o acesso ao emprego ou a manutenção da relação de trabalho.

O Código de Ética Profissional do Psicólogo também estabelece que o exercício da profissão deve respeitar a dignidade, a liberdade e a igualdade, além de vedar práticas que promovam preconceitos ou induzam convicções políticas e ideológicas no exercício profissional.

O caso também motivou a atenção do Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09), responsável pela fiscalização da profissão em Goiás. Em manifestação divulgada nesta terça-feira (27), o órgão repudiou o uso de critérios político-partidários em seleções de emprego e informou que adotará providências para apurar a conduta da profissional.

Segundo o conselho, os processos seletivos conduzidos por psicólogos devem se fundamentar em critérios técnicos relacionados às exigências das vagas, e não em preferências políticas ou partidárias. A eventual responsabilização dependerá da apuração, com garantia do contraditório e da ampla defesa.