A Polícia Federal identificou indícios de que um projeto financiado com R$ 1 milhão de uma emenda parlamentar indicada pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) não teve a execução comprovada conforme previsto. A apuração faz parte da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10).
Os recursos foram destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a realização do projeto Jovem Empreendedor, voltado a estudantes de escolas públicas do interior de São Paulo. A proposta previa atividades de letramento digital e empreendedorismo.
Segundo informações reunidas pela PF, porém, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar que as ações previstas foram efetivamente realizadas. Entre os registros que não teriam sido apresentados estão relatórios de atividades, listas de presença e registros fotográficos das ações.
O prazo para a prestação de contas da emenda terminou em abril. Até o momento, de acordo com informações da investigação, o instituto havia apresentado apenas notas fiscais referentes aos gastos. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informou anteriormente que solicitou documentos complementares ao ICB para avaliar a execução do projeto.
A investigação apura se parte dos recursos destinados ao projeto foi desviada para outras finalidades. A PF identificou movimentações financeiras envolvendo o ICB e empresas ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal também aponta uma coincidência temporal entre a liberação de recursos e a produção do filme. Segundo a investigação, R$ 645,4 mil foram transferidos diretamente por Mario Frias à Go Up Entertainment, valor que os investigadores consideram incompatível com a renda e os créditos identificados nas contas do parlamentar.
A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. Mario Frias foi alvo de busca e apreensão, teve equipamentos eletrônicos recolhidos e negou irregularidades. O deputado afirmou que os recursos das emendas são públicos e transparentes e criticou a investigação.
As suspeitas ainda são investigadas e não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos. A PF busca esclarecer o destino dos recursos públicos e identificar eventuais integrantes de um esquema de desvio e lavagem de dinheiro.


