quinta-feira, 22 de outubro
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A edição desta quarta-feira (21) do Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu imagens de uma sala secreta encontrada pela Polícia Federal (PF) em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília, utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo os investigadores, o compartimento poderia ter sido utilizado para armazenar dinheiro em espécie e outros bens. O espaço foi localizado em agosto, após uma denúncia anônima recebida pela PF, depois de uma primeira inspeção no local.

As imagens exibidas pela TV Globo mostram que a entrada da sala ficava escondida atrás de um painel de madeira. Por trás da estrutura, os policiais encontraram uma porta metálica aparentemente blindada, que dava acesso ao cômodo.

No interior, foram encontradas prateleiras, malas vazias para transporte de valores e uma máquina de contar cédulas. Apesar dos equipamentos, nenhuma quantia em dinheiro foi localizada no compartimento.

A Polícia Federal investiga a possibilidade de o espaço ter sido utilizado para guardar valores que teriam sido retirados antes da inspeção. Os investigadores solicitaram perícias para coletar impressões digitais e identificar possíveis usuários da sala.

A operação nos hangares ocorreu no contexto da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante as diligências, os agentes apreenderam quatro aeronaves ligadas às empresas do advogado e recolheram documentos e registros de voos.

Defesa de Willer Tomaz contesta suspeitas

Em nota, a defesa de Willer Tomaz confirmou a existência da chamada sala-cofre e dos equipamentos encontrados, mas negou qualquer irregularidade. Segundo o advogado, a estrutura é destinada ao atendimento de empresas de transporte de valores que são clientes de suas companhias de aviação.

A defesa argumentou que ambientes protegidos, malotes e máquinas de contagem de cédulas são compatíveis com atividades legais de transporte e custódia de dinheiro. Também criticou a interpretação dos investigadores, afirmando que não havia provas de utilização do espaço para armazenar recursos de origem ilícita.

Flávio Bolsonaro também é alvo de investigação

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são alvos de uma apuração distinta que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A investigação envolve informações relacionadas ao setor de apostas e à relação entre o advogado e o senador. A Polícia Federal analisa elementos que podem ajudar a esclarecer a origem e a destinação de recursos financeiros.

Flávio Bolsonaro nega envolvimento em irregularidades e afirma que sua relação com Willer Tomaz é de amizade. Até o momento, não há informação de que o senador tenha utilizado a sala encontrada no hangar.

As investigações seguem em andamento, e as suspeitas levantadas pela Polícia Federal ainda dependem de apuração.