O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teme que a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, com o apoio dos Estados Unidos, amplie internacionalmente as acusações de perseguição política feitas por integrantes da família Bolsonaro. A avaliação no entorno do presidente é que uma eventual manifestação pública do parlamentar, respaldada por Donald Trump e por integrantes da administração norte-americana, possa aumentar as tensões diplomáticas entre os dois países.
A preocupação ganhou força após a confirmação de que Flávio deixou o território brasileiro na noite de terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família entrou no país vizinho às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
Cerca de 40 minutos depois, o grupo embarcou em uma aeronave privada operada pela empresa Baires Fly, com destino declarado a Guayaquil, no Equador. Informações divulgadas pela imprensa apontam que os Estados Unidos são o destino final da viagem. A movimentação foi confirmada pelas autoridades argentinas nesta quarta-feira (28), após versões divergentes sobre o paradeiro do senador durante o dia anterior.
A possibilidade de entrada de Flávio nos Estados Unidos também ganhou força depois que um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado norte-americano confirmou à CNN Brasil que o órgão emitirá vistos para o senador e seus familiares e permitirá a entrada deles no país. A medida, no entanto, não significa, por si só, a concessão de asilo político.
Nos bastidores do governo brasileiro, existe a expectativa de que Flávio se pronuncie publicamente sobre a viagem e as circunstâncias que levaram à sua saída do país. A avaliação é que uma eventual declaração com respaldo de Trump possa internacionalizar o embate político brasileiro e provocar novos desgastes na relação entre Brasília e Washington.
A saída do senador ocorreu após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e estabeleceu prazo para a entrega dos documentos. A medida foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
A decisão também provocou críticas entre integrantes do entorno de Lula. Segundo informações de bastidores divulgadas pela CNN Brasil, aliados do presidente consideraram a medida precipitada e desnecessária, por entenderem que ela poderia oferecer à oposição argumentos para sustentar a narrativa de perseguição política contra a família Bolsonaro.
O episódio acrescenta um novo elemento de tensão ao cenário político após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). O temor no governo é que a disputa deixe de se concentrar no ambiente doméstico e passe a envolver diretamente os governos brasileiro e norte-americano.



