quarta-feira, 4 de novembro
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, estabeleceu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o relatório parcial da Polícia Federal que indiciou o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outras 14 pessoas por suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco de Brasília (BRB). A determinação foi assinada nesta quarta-feira (4).

Além de analisar as conclusões apresentadas pela Polícia Federal, a PGR deverá avaliar os pedidos e as providências solicitadas pelas defesas dos investigados. O documento, com mais de 700 páginas, foi encaminhado ao Supremo no dia 28 de outubro e reúne os resultados de uma das principais etapas da investigação.

No relatório, a Polícia Federal aponta Daniel Vorcaro como o principal responsável pela coordenação de uma suposta organização criminosa envolvida nas operações entre as duas instituições financeiras. Segundo os investigadores, ele ocupava a posição central de comando e tomada de decisões no esquema.

O ex-banqueiro foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Também foi indiciado o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por supostos crimes de gestão fraudulenta e organização criminosa.

Quem são os 15 indiciados pela Polícia Federal

A lista apresentada pela Polícia Federal reúne ex-dirigentes, executivos, empresários e profissionais que, segundo as investigações, teriam participado de diferentes etapas das operações financeiras.

Confira os nomes:

  1. Daniel Bueno Vorcaro – ex-controlador do Banco Master;

  2. Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa – ex-presidente do BRB;

  3. Augusto Ferreira Lima – ex-sócio de Vorcaro;

  4. Angelo Antônio Ribeiro da Silva – ex-diretor do Banco Master;

  5. Luiz Antonio Bull – ex-diretor do Banco Master;

  6. Alberto Félix de Oliveira Neto – ex-diretor do Banco Master;

  7. Allan da Silva Machado – ligado à estrutura operacional do Master;

  8. Henrique Souza e Silva Peretto – ligado à empresa Tirreno;

  9. André Felipe de Oliveira Seixas Maia – ligado à empresa Tirreno;

  10. Daniel Lopes Monteiro – advogado que atuou na estruturação das operações;

  11. Dario Oswaldo Garcia Junior – ex-diretor do BRB;

  12. Luana de Andrade Ribeiro – ex-integrante da diretoria do BRB;

  13. Cristiane Maria Lima Bukowitz – ex-integrante da diretoria do BRB;

  14. Diogo Ilário de Araújo Oliveira – ex-integrante da diretoria do BRB;

  15. José Maria Correa Dias Junior – ex-integrante da diretoria do BRB.

Operações investigadas movimentaram R$ 17,5 bilhões

De acordo com a Polícia Federal, as operações investigadas envolveram aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito negociados entre o Banco Master e o BRB, no período de julho de 2024 a outubro de 2025.

Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões correspondem a créditos cuja existência não teria sido comprovada pelos documentos apresentados às instituições financeiras.

A investigação apura se carteiras de crédito sem lastro adequado foram utilizadas para sustentar operações bilionárias e gerar recursos para o Banco Master. Os investigadores também analisam a participação de dirigentes e executivos das duas instituições na aprovação e execução das transações.

A Polícia Federal solicitou ainda a prorrogação do inquérito por mais 60 dias. O período adicional seria utilizado para concluir análises periciais, aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras e realizar diligências complementares.

Após receber o parecer da PGR, o Supremo poderá avaliar os próximos encaminhamentos. O Ministério Público poderá solicitar novas medidas investigativas ou, caso entenda que existem elementos suficientes, apresentar denúncia contra os investigados.

É importante destacar que o indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de participação em possíveis crimes. A medida não significa condenação nem substitui a análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Relembre a Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de emissão e negociação de títulos de crédito sem lastro, além de possíveis irregularidades na gestão de instituições financeiras.

No caso envolvendo o Banco Master, os investigadores apontam Daniel Vorcaro como figura central de um esquema que teria utilizado carteiras de crédito sem comprovação de existência em operações com o BRB.

O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar em uma viagem com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Após permanecer detido, Vorcaro foi transferido para o Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos. No dia 28 de novembro daquele ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus ao empresário e a outros quatro executivos investigados.

A decisão substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte, restrições de deslocamento e impedimento de exercer atividades financeiras.

O avanço das investigações e a análise do relatório pela Procuradoria-Geral da República representam uma nova etapa do caso, que envolve suspeitas de irregularidades bilionárias no sistema financeiro brasileiro.