O cantor Alexandre Pires foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (23), que investiga um grupo suspeito de atuar na comercialização ilegal de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
A ação é uma nova fase da Operação Disco de Ouro e cumpre 12 mandados de busca e apreensão, além de 17 ordens judiciais para sequestro de bens e valores. As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal. Não há mandados de prisão nesta etapa.
Em Uberlândia, Minas Gerais, os agentes realizaram buscas em um imóvel e na produtora musical ligada a Alexandre Pires. A PF procura documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações.
Além do cantor, os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon também são alvos da operação. Segundo a investigação, Matheus Possebon já teve relação profissional com Alexandre Pires e é apontado na apuração como integrante do núcleo financeiro investigado.
A Polícia Federal apura a movimentação e a ocultação de mais de US$ 48 milhões, aproximadamente R$ 246 milhões, por meio de empresas, contas de terceiros e operações financeiras nacionais e internacionais. A suspeita é de que os recursos estejam relacionados à comercialização e exportação de minérios.
As investigações também apontam suspeitas de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Em uma das frentes da apuração, a PF investiga a possível utilização de empresas e documentos para dar aparência de legalidade ao minério que teria sido extraído ilegalmente da Terra Yanomami.
Alexandre Pires já havia sido alvo da primeira fase da Operação Disco de Ouro, deflagrada em dezembro de 2023. Na ocasião, a PF investigava um esquema relacionado à extração e comercialização ilegal de cassiterita. O cantor negou envolvimento com a extração do minério.
A nova fase busca aprofundar o rastreamento dos recursos financeiros e esclarecer a participação individual de cada investigado. Até o momento, as medidas determinadas pela Justiça são de busca, apreensão e bloqueio de patrimônio, sem ordem de prisão contra os alvos.


