O grupo jurídico Prerrogativas pretende pedir à Polícia Federal a abertura de uma investigação sobre um suposto depoimento prestado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a produção de um documentário sobre o petista.
Segundo o coordenador do grupo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, a entidade recebeu informações de que Vorcaro teria sido incentivado a apresentar acusações contra Lula com o objetivo de provocar impacto político e eleitoral durante o segundo turno das eleições presidenciais. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (8) pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
De acordo com a versão apresentada pelo Prerrogativas, o banqueiro teria sido estimulado a afirmar à PF que havia financiado o documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. O grupo nega que Vorcaro tenha participado do financiamento da produção e afirma que o depoimento teria sido utilizado para atingir politicamente o presidente e integrantes do governo.
Suposta negociação envolvendo benefícios judiciais
Ainda segundo o relato apresentado pelos advogados, a suposta articulação envolveria benefícios judiciais para Daniel Vorcaro e para o pai dele, Henrique Vorcaro.
A alegação é de que Henrique poderia deixar a prisão e que Daniel receberia o benefício da prisão domiciliar com monitoramento eletrônico após as eleições de 2026. Essas informações, porém, são apresentadas pelo Prerrogativas como relatos recebidos pelo grupo e deverão ser objeto de apuração caso a investigação seja instaurada.
Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a intenção é solicitar à PF que investigue a origem do depoimento, quem teria participado de eventual articulação e se houve tentativa de interferência no processo eleitoral.
Caso envolve disputa política entre Lula e Flávio
O episódio ocorre em meio à disputa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), marcada para 25 de outubro, e às investigações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
Em setembro, a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou ao STF uma notícia-crime pedindo investigação sobre uma suposta relação entre Lula e Vorcaro. O pedido citava mensagens atribuídas ao advogado Walfrido Warde, que atuava para o ex-banqueiro, incluindo referência a um suposto presente entregue ao presidente. A Presidência negou que Lula tenha recebido o presente mencionado.
A campanha de Flávio também pediu que fossem apuradas possíveis relações entre Vorcaro e integrantes do governo federal. O caso foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, não há comprovação pública de que o depoimento atribuído a Vorcaro tenha sido forjado ou de que tenha existido uma negociação de benefícios judiciais nos termos relatados pelo Prerrogativas. O pedido de investigação anunciado pelo grupo deverá buscar esclarecer justamente essas circunstâncias.



