terça-feira, 3 de novembro
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O narrador esportivo George Antônio Lunardi, de 65 anos, acusado de planejar uma tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Micaelle Santos Hora, de 28 anos, será submetido a júri popular. A decisão foi tomada pela Justiça de Santos, no litoral de São Paulo, após a análise das provas reunidas durante a investigação.

Segundo informações do site Vade News, a juíza Denise Gomes Bezerra Mota, da Vara do Júri de Santos, considerou que existem elementos que comprovam a ocorrência do crime e indícios suficientes da participação do radialista no planejamento e na execução do atentado. Lunardi está preso preventivamente e ainda pode recorrer da decisão.

A mulher apontada como autora dos disparos, Elisabete Cristina Matias dos Santos, de 34 anos, também teve a prisão preventiva decretada, mas permanece foragida.

Relembre a tentativa de feminicídio

O crime aconteceu na noite de 3 de setembro de 2025, na Rua Cecília Meireles, no bairro Bom Retiro, em Santos. Micaelle havia acabado de sair de uma academia e caminhava sozinha quando foi surpreendida por Elisabete, que efetuou vários disparos contra ela.

De acordo com as investigações, depois do ataque, a suspeita fugiu com a filha adolescente até uma caminhonete Fiat Strada branca, estacionada a cerca de 30 metros do local. O veículo pertencia a Lunardi, que, segundo a acusação, aguardava para garantir a fuga das envolvidas.

Entre os elementos considerados pela magistrada estão imagens encontradas no celular do narrador, que indicariam conflitos e ameaças envolvendo a ex-companheira. Também foi levado em consideração o depoimento da filha de Elisabete, que tinha 15 anos na época e teria confirmado a presença da mãe e de George nas proximidades do crime.

A adolescente contou que havia sido convidada pela mãe para ir a uma lanchonete. No estabelecimento, Elisabete estava acompanhada de um homem que dirigia uma caminhonete e era chamado de George. Posteriormente, os três seguiram para a Zona Noroeste. A jovem afirmou que não sabia que a mãe pretendia atacar Micaelle.

Vítima relatou perseguições e ameaças

Durante o processo, Micaelle contou que manteve um relacionamento de aproximadamente quatro anos com Lunardi, com quem teve um filho. A separação aconteceu em março de 2025, depois que ela descobriu uma traição.

Segundo o relato da vítima, após o término, o radialista passou a persegui-la, ameaçá-la e proferir ofensas, inclusive em seu ambiente de trabalho. Diante da situação, ela conseguiu uma medida protetiva contra o ex-companheiro.

Micaelle também afirmou que reconheceu a caminhonete utilizada na fuga como semelhante à do antigo companheiro. Sobre o momento do ataque, relatou que não conhecia Elisabete e que a mulher teria feito ameaças antes de atirar.

Em relação à participação no crime, Lunardi apresentou versões diferentes ao longo da investigação. Inicialmente, teria admitido que pediu a Elisabete para dar apenas um susto na ex-companheira, alegando desconhecer que ela estava armada. Posteriormente, durante depoimento judicial, negou envolvimento no atentado e afirmou que apenas emprestou a caminhonete para que a mulher transportasse um fogão.

Vítima ficou paraplégica após os disparos

Além da tentativa de feminicídio, o narrador responde por corrupção de menor, em razão da participação da adolescente na ação. Caso seja condenado pelos crimes, a pena poderá variar de 17 a 40 anos de prisão.

Após ser baleada, Micaelle permaneceu por aproximadamente dois meses internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos. Em consequência dos ferimentos, perdeu os movimentos das pernas e passou a utilizar medicamentos para tratar a depressão.

A adolescente envolvida no episódio recebeu medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado, com reavaliações a cada três meses e limite máximo de três anos. A Justiça também determinou que a guarda definitiva da jovem ficasse com a avó materna, além de proibir a mãe de se aproximar das duas.