O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado evitar uma escalada de tensões diplomáticas após a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. Derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), o parlamentar chegou ao território norte-americano na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles nesta quinta-feira (29), interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, avaliam que o episódio deve ser tratado com prudência e sob a perspectiva judicial. A orientação é evitar que o caso se transforme em um novo foco de desgaste nas relações entre os governos brasileiro e norte-americano.
A avaliação de integrantes da diplomacia é que a situação diz respeito exclusivamente ao Poder Judiciário, sem necessidade de envolvimento direto do Executivo ou da política externa brasileira. A estratégia também busca impedir que eventuais manifestações oficiais alimentem controvérsias diplomáticas com a administração dos Estados Unidos.
Saída ocorreu após determinação do STF
A viagem de Flávio Bolsonaro aconteceu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador e proibiu sua saída do país. A medida foi solicitada pela Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga no âmbito de uma investigação.
De acordo com a PF, o parlamentar não entregou os documentos no prazo estabelecido. Após a decisão judicial, os passaportes brasileiros comum e diplomático foram cancelados, e um alerta migratório foi incluído no sistema de controle de fronteiras.
A corporação informou que investiga as circunstâncias da saída do senador, já que não identificou registros oficiais de sua passagem pelos postos de controle migratório brasileiros. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina antes de embarcar em um avião particular para os Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas.
O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As suspeitas ainda estão sob apuração, e Flávio Bolsonaro nega irregularidades.
Diante do episódio, o governo Lula pretende manter a condução do caso no âmbito das instituições responsáveis, evitando uma reação diplomática que possa ampliar as divergências entre Brasília e Washington.



