Funcionários da Amazon no Ceará denunciam o recebimento de salários inferiores ao mínimo nacional e questionam o enquadramento profissional adotado pela empresa. O Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing do Estado do Ceará (Sintratel-CE) ingressou com uma ação coletiva na Justiça do Trabalho para exigir a adequação da remuneração dos profissionais que atuam no atendimento ao cliente.
Segundo o sindicato, cerca de 500 trabalhadores exercem atividades semelhantes às de operadores de telemarketing, mas são enquadrados como comerciários. A entidade defende que esses funcionários deveriam receber, no mínimo, o salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621 em 2026.
Entenda a disputa salarial
A principal divergência envolve a categoria profissional à qual os trabalhadores devem estar vinculados. De acordo com o Sintratel-CE, os funcionários atendem consumidores por telefone, esclarecem dúvidas, acompanham entregas e prestam suporte relacionado a pedidos e produtos.
O sindicato argumenta que essas atribuições caracterizam atividades de teleatendimento e telemarketing. Por isso, contesta o cálculo proporcional dos salários adotado pela empresa, que considera a jornada mensal de 180 horas com base nas regras aplicáveis aos comerciários.
Contracheques de funcionários, divulgados em reportagens sobre o caso, registram remunerações de R$ 1.298 em outubro de 2025 e março de 2026, valores inferiores ao salário mínimo vigente em 2026.
Sindicato pede pagamento retroativo
Além de solicitar a adequação dos salários, o Sintratel-CE pede o pagamento das diferenças retroativas e o reconhecimento da entidade como representante sindical dos profissionais envolvidos.
A ação coletiva tramita na Justiça do Trabalho. Uma audiência realizada na 18ª Vara do Trabalho de Fortaleza terminou sem acordo entre as partes, e ainda não há prazo definido para o julgamento definitivo do processo.
Também existem ações individuais de trabalhadores que questionam as condições de contratação e pedem a rescisão indireta dos contratos de trabalho.
O que diz a Amazon
Em nota, a Amazon afirma que os funcionários do atendimento ao cliente são vinculados ao sindicato dos comerciários porque a atividade principal da empresa contratante é o comércio varejista.
A companhia sustenta que aplica as mesmas regras e condições aos profissionais de atendimento em todo o Brasil, independentemente do estado, e afirma que a jornada praticada é de 36 horas semanais.
A empresa também declara atuar em conformidade com a legislação trabalhista brasileira e informou que não comentará detalhes do processo enquanto a questão estiver em discussão judicial.
O caso deverá ser analisado pela Justiça do Trabalho, que terá de avaliar os argumentos apresentados pelas partes e as regras aplicáveis às funções efetivamente desempenhadas pelos funcionários.


