O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e o vice-presidente da Corte, André Mendonça, discutiram com outros ministros a possibilidade de restringir o funcionamento de canais de WhatsApp com mais de 200 mil participantes nas 48 horas que antecedem o segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).
A proposta provocou divergências entre integrantes do tribunal e poderia atingir canais de grande alcance ligados à disputa presidencial, como o “Exército do Lula”, que reúne quase 8 milhões de seguidores, e a “Tropa do Flávio”, com aproximadamente 2,7 milhões.
O debate ganhou força após a repercussão de conteúdos políticos compartilhados nessas plataformas e dos confrontos judiciais envolvendo as campanhas dos dois candidatos. O canal “Exército do Lula”, liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), tornou-se um dos focos de disputa no ambiente digital durante a reta final da campanha.
O gabinete de André Mendonça confirmou que o assunto foi discutido em reuniões realizadas nos dias 16 e 20 de outubro. Segundo o ministro, ficou sob sua responsabilidade preparar uma minuta de resolução para análise dos demais integrantes do tribunal. A justificativa apresentada foi a necessidade de estabelecer critérios para proteger a integridade do processo eleitoral no período próximo à votação.
Após a repercussão do caso, porém, Kassio Nunes Marques afirmou que não haverá mudança nas regras eleitorais às vésperas do pleito. O presidente do TSE declarou ser contrário a alterações de última hora e informou que a proposta não está na pauta para votação antes do segundo turno.
Com isso, a possibilidade de suspensão generalizada dos grandes canais políticos do WhatsApp não deve avançar antes da votação de domingo (25), embora a discussão tenha provocado questionamentos sobre a atuação das plataformas digitais e os limites da propaganda eleitoral durante a campanha.



