O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria promovido uma festa de grandes proporções em meio à estratégia de aproximação com pessoas influentes dos meios político e jurídico. Segundo informações reveladas a partir das investigações sobre o caso, o evento reuniu cerca de 120 modelos e contou com a presença de convidados ligados a diferentes setores.
A festa faz parte de um conjunto de informações que vieram à tona durante a investigação sobre as relações mantidas por Vorcaro antes da liquidação do Banco Master. Mensagens e outros dados encontrados pela Polícia Federal no celular do empresário ajudaram a revelar sua extensa rede de contatos.
Segundo os investigadores, Vorcaro buscava estabelecer relações com integrantes dos principais círculos de poder de Brasília, incluindo políticos e pessoas próximas ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O material analisado pela PF também revelou contatos de Vorcaro com ministros do STF. Entre os nomes que aparecem na investigação está Alexandre de Moraes, com quem o banqueiro manteve encontros e trocou mensagens. A divulgação desse conteúdo desencadeou uma crise interna no Supremo.
As mensagens mostram ainda que Vorcaro procurava utilizar sua rede de contatos para tratar de assuntos relacionados às investigações que atingiam o Banco Master. Em alguns casos, segundo a PF, o empresário buscava informações ou auxílio para lidar com medidas da Polícia Federal e do Ministério Público.
Um dos episódios revelados pela investigação envolve encontros entre Vorcaro e Moraes no fim de 2023, intermediados pelo ex-deputado Fábio Faria. Pouco depois dessas reuniões, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, firmou contrato com o Banco Master. O escritório afirma que não houve irregularidade e que o ministro foi consultado apenas para verificar eventual impedimento.
A investigação também aponta que a influência de Vorcaro não se restringia ao Judiciário. Relatórios da PF indicam que o empresário mantinha contatos com servidores do Banco Central e outras pessoas com acesso a informações estratégicas. Em um dos casos, investigadores apontam que viagens internacionais e outros benefícios teriam sido custeados pelo banqueiro para servidores da instituição. As defesas negam irregularidades.
A retirada do sigilo de parte dos procedimentos relacionados ao caso Master permitiu que novas informações sobre a rede de relacionamentos de Vorcaro viessem a público. O STF autorizou a divulgação de documentos de diferentes investigações, enquanto outros procedimentos continuam sob sigilo.
O conteúdo revelado pela PF ainda está sob análise das autoridades e não significa, por si só, que todas as pessoas que tiveram contato com Vorcaro tenham cometido irregularidades. A investigação busca determinar se os relacionamentos mantidos pelo empresário foram utilizados para obter vantagens indevidas ou interferir em decisões de órgãos públicos.



