terça-feira, 13 de outubro
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O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, custeou três noites de hospedagem para o ex-senador Francisco Feitosa (Republicanos), conhecido como Chiquinho Feitosa, em um hotel de luxo em São Paulo, em maio de 2024. A estadia ocorreu dois dias antes de um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as regras para a abertura de novos cursos de medicina, tema de interesse empresarial do banqueiro.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a hospedagem foi realizada no Rosewood, onde a diária de um quarto com duas camas king size chega a R$ 31.552, conforme cotação consultada pelo veículo.

Na época, Chiquinho Feitosa era cunhado do ministro Gilmar Mendes, relator do processo no STF. O ex-senador é irmão da advogada Guiomar Feitosa, que foi casada com o magistrado.

Documentos e mensagens obtidos pelo Estadão indicam que Ciro Soares, advogado que representava Vorcaro, intermediou um pedido de Feitosa para alterar as datas da reserva. Em 22 de maio de 2024, o banqueiro encaminhou diretamente ao ex-parlamentar o comprovante da hospedagem. Após deixar o hotel, Feitosa enviou uma mensagem agradecendo pela estadia.

O julgamento tratava de regras para a autorização de novos cursos de medicina, assunto que interessava a Vorcaro, que havia investido em instituições de ensino superior que buscavam autorização para oferecer a graduação. Posteriormente, mensagens entre o advogado e o banqueiro mencionaram a conclusão da análise e o resultado do julgamento.

Procurado pelo Estadão, Gilmar Mendes afirmou que votou contra a abertura indiscriminada de cursos de medicina e que seguiu o entendimento do Ministério da Educação (MEC). A decisão estabeleceu uma regra de transição para permitir a continuidade da análise de pedidos de instituições que já haviam apresentado a documentação exigida.

O episódio também se soma a informações divulgadas anteriormente sobre a relação profissional entre Vorcaro e Chiquinho Feitosa. De acordo com o jornal, o ex-senador mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com o banqueiro e conversava com ele sobre processos no Supremo, além de ter organizado uma reunião de integrantes da equipe do empresário no gabinete de Gilmar Mendes.

A existência da hospedagem e das mensagens, por si só, não comprova interferência no julgamento. O caso, contudo, levanta questionamentos sobre as relações entre o empresário, o ex-senador e pessoas ligadas ao ministro do STF.