O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou públicos documentos que detalham uma ordem de bloqueio patrimonial contra o senador baiano Jaques Wagner (PT) e outros investigados no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao antigo Banco Master.
A decisão do ministro André Mendonça alcança 27 pessoas, entre familiares e supostos operadores financeiros. No núcleo principal, o bloqueio determinado pela Justiça chega a R$ 5,95 milhões. O valor, porém, não é atribuído exclusivamente ao senador: trata-se de um limite global estabelecido para 16 investigados.
Um dos pontos centrais da investigação envolve a compra de um apartamento no edifício Poème Horto, em Salvador, por cerca de R$ 2,45 milhões. Segundo a Polícia Federal, os recursos teriam passado pelo Hockenheim Fundo de Investimento, administrado pela Reag Administradora de Recursos, antes de chegarem à empresa Epítome S.A., apontada como uma empresa interposta na operação.
Outro eixo da apuração trata de R$ 3,5 milhões transferidos pela PKL One Participações para a BN Financeira, empresa ligada à família do senador. Nesse núcleo, o ministro determinou um bloqueio específico de R$ 3,5 milhões envolvendo Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo Sodré, além de outros investigados.
Os documentos também mencionam supostas vantagens que teriam sido oferecidas a Wagner e pessoas próximas. Entre elas estão o uso de jatinhos particulares e ingressos para eventos de alto padrão, que, segundo a investigação, teriam sido pagos por empresas ligadas à Reag.
A Polícia Federal apura se essas vantagens teriam relação com uma suposta atuação de Wagner em interesses do Banco Master, incluindo questões envolvendo crédito consignado, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a fiscalização da operação de compra do banco pelo BRB.
Wagner nega irregularidades e afirma que sua relação com os investigados não envolveu recebimento de benefícios ilícitos. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam condenação.
A retirada do sigilo ocorreu em meio à decisão de Mendonça de tornar públicos dezenas de procedimentos relacionados ao caso Banco Master, após pedidos da Procuradoria-Geral da República e do presidente do STF, Edson Fachin.


