A inteligência artificial já faz parte da rotina escolar de quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos. Segundo o Pisa 2025, divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 48% dos alunos no Brasil afirmam utilizar chatbots de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para atividades de aprendizagem.
O índice brasileiro está acima da média registrada entre os países da OCDE, que ficou em 46%. Esta é a primeira edição do Pisa a medir especificamente o uso de ferramentas de inteligência artificial pelos estudantes.
Entre os recursos utilizados, a principal diferença aparece nas pesquisas sobre assuntos novos. 40% dos estudantes brasileiros dizem recorrer à IA para fazer uma pesquisa inicial sobre um tema que ainda não conhecem. Na média da OCDE, o percentual é de 31%.
A inteligência artificial também é utilizada para resumir conteúdos escolares. No Brasil, 31% dos alunos afirmam usar chatbots para resumir textos que precisam ler para a escola, resultado próximo dos 30% registrados na média da OCDE.
Já para escrever uma redação completa, o percentual brasileiro é menor: 27%, contra 29% entre os estudantes dos países da organização. Apenas 11% dos brasileiros afirmam nunca ou quase nunca utilizar chatbots em nenhuma das atividades escolares avaliadas pelo Pisa.
O levantamento também chama atenção para os desafios provocados pelo uso de tecnologias no ambiente educacional. O Pisa aponta que estudantes brasileiros que relataram distração frequente por dispositivos digitais durante as aulas de ciências tiveram desempenho, em média, 19 pontos inferior aos que não relataram esse tipo de distração.
Ao mesmo tempo, o relatório mostra que o uso de celulares nas escolas brasileiras aumentou significativamente sob regras de restrição. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros estavam matriculados em escolas onde o uso de celulares não era permitido nas dependências, contra 37% em 2022.
O Pisa 2025 avaliou mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias. No Brasil, participaram cerca de 30 mil alunos de 1.053 escolas. A avaliação mede conhecimentos e competências em matemática, leitura e ciências, além de aspectos relacionados ao aprendizado no mundo digital.
Os dados mostram que a discussão sobre inteligência artificial na educação já ultrapassou o debate sobre se os estudantes utilizam ou não a tecnologia. O desafio agora é definir como essas ferramentas podem ser usadas para apoiar a aprendizagem sem substituir a leitura, a reflexão e o desenvolvimento do raciocínio dos alunos.



