O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do relatório da Polícia Federal que detalha mensagens e contatos do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o ministro Alexandre de Moraes. A manifestação foi apresentada nesta terça-feira (1º) ao relator do caso, ministro André Mendonça.
Gonet sustenta que houve irregularidade na forma como Mendonça determinou o aprofundamento da análise do material apreendido no celular de Vorcaro. Segundo o procurador-geral, o ministro teria determinado a apuração sem uma solicitação prévia do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.
Para a PGR, a decisão teria ultrapassado os limites da atuação de um magistrado durante a fase de investigação. Gonet afirma que, ao surgirem referências a outro ministro do STF, caberia encaminhar o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin, para que o Plenário decidisse sobre a eventual abertura de uma investigação.
O relatório elaborado pela Polícia Federal tem 218 páginas, sendo aproximadamente 188 dedicadas a informações relacionadas a Alexandre de Moraes, de acordo com a manifestação da PGR. O documento foi produzido após Mendonça determinar que a PF identificasse e analisasse os interlocutores e conteúdos encontrados no aparelho de Vorcaro.
Entre os elementos revelados estão mensagens atribuídas a uma conversa entre Vorcaro e Moraes. Em novembro de 2025, poucos dias antes da prisão do banqueiro, ele teria questionado o interlocutor sobre a possibilidade de deixar o Brasil e também feito pedidos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.
O material também menciona contatos de Vorcaro com outras autoridades, entre elas o próprio Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As informações passaram a ser analisadas no contexto de uma possível rede de influência mantida pelo ex-banqueiro.
O próprio Gonet aparece no relatório da PF. Há registros de mensagens envolvendo o advogado Ciro Soares, Vorcaro e o filho do procurador-geral, além de referências a uma viagem a Londres que teria sido custeada pelo banqueiro. A PF, contudo, não apontou que Gonet tenha conversado diretamente com Vorcaro nos registros analisados.
Na manifestação, Gonet classificou a situação como uma “dupla nulidade”. Para ele, a primeira irregularidade estaria na determinação de Mendonça para aprofundar a apuração sem provocação do Ministério Público ou da PF. A segunda seria o avanço sobre informações envolvendo Moraes sem autorização do Plenário do Supremo.
O procurador-geral também pediu a extinção da Petição 16.662, que tramita sob relatoria de Mendonça. Agora, caberá ao ministro analisar a manifestação da PGR. Mendonça já indicou que pretende levar a discussão ao Plenário do STF, em sessão pública.
A decisão de Gonet abre mais um capítulo na crise envolvendo o caso Banco Master e coloca em confronto interpretações diferentes sobre os limites de atuação de ministros do STF durante investigações que possam alcançar integrantes da própria Corte.


