A Polícia Federal (PF) prepara a inclusão dos nomes de dois empresários na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localizar pessoas procuradas pela Justiça. Ciro César Lemos e Elidiane Saldanha Lopes Lemos são investigados por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e também aparecem em apurações que envolvem a influenciadora e advogada Deolane Bezerra.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles neste domingo (8), o casal está foragido e há indícios de que os dois tenham deixado o Brasil. A medida atende a uma determinação judicial, enquanto os mandados de prisão expedidos contra os empresários ainda não foram cumpridos.
Transportadora movimentou mais de R$ 20 milhões
Os empresários são proprietários da transportadora Lado a Lado, apontada pelos investigadores como parte da estrutura utilizada para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa.
Levantamentos financeiros identificaram mais de R$ 20 milhões em movimentações bancárias vinculadas à empresa entre 2015 e 2019. Já a análise das contas pessoais de Elidiane revelou transações superiores a R$ 1 milhão, também consideradas suspeitas no decorrer das investigações.
Bilhetes encontrados em presídio deram origem às investigações
As apurações começaram em 2019, depois que policiais penais encontraram bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. O material, que havia sido descartado por detentos, continha referências a uma mulher ligada a uma transportadora.
A partir das informações encontradas nos documentos, os investigadores passaram a rastrear a empresa e identificaram possíveis conexões financeiras com integrantes do PCC. O trabalho policial avançou e deu origem a diferentes etapas de investigação, incluindo a Operação Vérnix.
Relação com Deolane Bezerra
Elidiane também aparece nas investigações que levaram à prisão de Deolane Bezerra. Segundo a Polícia Civil, a análise das movimentações financeiras identificou repasses relacionados ao esquema investigado.
A influenciadora foi presa em maio de 2026, durante a Operação Vérnix, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Até a publicação da reportagem do Metrópoles, os responsáveis pela defesa de Ciro César Lemos e Elidiane Saldanha Lopes Lemos não haviam sido localizados para comentar as acusações.


