A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, teria negociado com lideranças do Comando Vermelho (CV) a retirada de barricadas instaladas em vias públicas do município. As informações fazem parte das investigações que levaram à prisão do político nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne.
Segundo os investigadores, o acordo envolveria a liberação de ruas para a realização de obras da prefeitura em áreas dominadas pelo tráfico de drogas. Em contrapartida, haveria uma redução das operações policiais nessas localidades e, após a conclusão dos serviços, os criminosos retomariam o controle territorial.
De acordo com a PF, o responsável por intermediar as negociações seria o capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa, preso em fevereiro de 2026 por suspeita de negociar com traficantes. Ele, no entanto, não foi alvo da operação deflagrada nesta quinta-feira.
Os investigadores apontam que o policial atuava como interlocutor entre Canella e integrantes da cúpula do Comando Vermelho, incluindo Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças da facção, e José Severino da Silva Júnior, o Soró, ligado ao tráfico de drogas em Belford Roxo.
A investigação integra um conjunto de apurações sobre possíveis conexões entre agentes públicos, políticos e organizações criminosas. Canella também é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a Polícia Federal, teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.
As acusações ainda dependem da apuração judicial. A assessoria de Canella informou que a defesa aguardava acesso à decisão que determinou a prisão para se manifestar sobre o caso.


