Uma perícia do Instituto de Criminalística de São Paulo identificou falhas na lacração de 27 dispositivos eletrônicos apreendidos durante uma operação envolvendo empresas ligadas à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os equipamentos estão nove notebooks, cinco celulares e 13 pendrives. Segundo os documentos, os invólucros apresentavam aberturas que permitiam retirar os dispositivos ou até acessar os dados armazenados sem necessariamente romper os lacres de segurança.
No caso de celulares e computadores, a perícia apontou que algumas embalagens tinham espaço suficiente para a passagem de cabos de alimentação e transferência de dados. Tecnicamente, isso permitiria acessar ou manipular informações dos equipamentos sem violar o selo numerado.
Os problemas foram identificados logo após a apreensão dos aparelhos, realizada em 1º de junho. O Instituto de Criminalística recusou inicialmente o recebimento de parte do material e devolveu os equipamentos à Polícia Civil para que os invólucros fossem corrigidos e novos lacres fossem colocados.
A medida teve como objetivo preservar a chamada cadeia de custódia, conjunto de procedimentos que registra e protege a integridade das provas desde a apreensão até a análise pericial.
Os documentos, porém, não indicam que os aparelhos tenham sido efetivamente violados ou manipulados. A perícia apenas constatou que as falhas nos lacres criavam a possibilidade de acesso ao conteúdo dos equipamentos.
Depois da readequação das embalagens, os dispositivos foram novamente encaminhados ao Instituto de Criminalística e passaram por análise. Os dados extraídos foram posteriormente disponibilizados à investigação.
O material faz parte do inquérito que apura suspeitas envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”. A investigação também envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de pontos gratuitos de internet.
A apuração busca esclarecer se houve irregularidades na execução do contrato e eventual desvio de recursos públicos. As suspeitas ainda são investigadas pelas autoridades.


