domingo, 25 de outubro
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Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta após ser atingida por um disparo de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, acompanhou presencialmente o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de sexta-feira (23), nos estúdios da TV Globo.

Cristiane foi convidada pela campanha de Lula e ficou na primeira fila da plateia, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja. A presença da mãe da menina ocorreu em meio à repercussão da atuação de Flávio Bolsonaro como advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de envolvimento na morte da criança.

O episódio já havia sido mencionado por Lula no debate da Band, realizado no domingo (18), quando o presidente questionou o adversário sobre sua participação na defesa do agente. O assunto voltou à discussão no encontro da Globo, durante o bloco dedicado à segurança pública.

Entenda o caso de Ana Clara

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, depois de ser atingida por um disparo enquanto brincava perto de casa com o irmão mais novo, na comunidade Monan Pequeno, no bairro do Badu, em Niterói.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o policial militar Bruno Dias Delaroli por homicídio. A acusação sustenta que o disparo que atingiu a criança partiu da arma do agente. A defesa do policial contesta a responsabilização e afirma que ele reagiu a tiros durante uma operação policial.

Em 2024, Flávio Bolsonaro passou a integrar a equipe de defesa do militar e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de reverter a decisão que determinou que o policial fosse submetido ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado pela Justiça, e o agente continuou respondendo ao processo em liberdade.

Caso volta ao centro do debate eleitoral

Durante o debate da Globo, Lula voltou a cobrar explicações de Flávio sobre a atuação como advogado do policial. O senador afirmou que considera o episódio uma tragédia, manifestou solidariedade à mãe da menina e declarou acreditar que o agente não foi responsável pelo disparo fatal.

Ao se dirigir a Cristiane, Flávio acabou chamando a mãe pelo nome da filha. A situação ocorreu enquanto ele comentava a morte da criança e tentava explicar sua atuação no caso.

Cristiane contestou a versão apresentada pelo senador e reiterou que busca justiça pela morte da filha. O caso se tornou um dos temas de confronto entre os candidatos na reta final da campanha presidencial.

O julgamento do policial, que ainda não teve uma decisão definitiva do Tribunal do Júri, foi adiado para 5 de maio de 2027.