O deputado federal André Janones (Rede-MG) descartou a possibilidade de assumir um ministério no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (1º), o parlamentar afirmou que pretende permanecer na Câmara dos Deputados, apesar da participação na estratégia de mobilização digital que marcou a campanha pela reeleição de Lula.
Janones ganhou projeção nacional ao criar e administrar o canal de mensagens chamado “Exército do Lula”, que ultrapassou 10 milhões de participantes nas três semanas que antecederam o segundo turno. O espaço funcionou como uma central de mobilização, distribuindo vídeos, textos, áudios e orientações para que apoiadores compartilhassem conteúdos políticos em diferentes redes sociais.
“Eu não vou aceitar nenhum ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”, declarou o deputado.
O parlamentar foi reeleito para seu terceiro mandato consecutivo e afirmou que continuará filiado à Rede Sustentabilidade.
Janones comenta redução de participantes no canal
Durante a entrevista, o deputado revelou que o canal já havia perdido aproximadamente 200 mil participantes desde o encerramento da campanha. Na avaliação dele, parte dessas pessoas não era formada por apoiadores de Lula.
“Eu acho que vai cair até mais, porque, agora, muitos do lado de lá começaram a sair. Deve ter 1 milhão de infiltrados. E 9 milhões são do nosso campo”, afirmou.
Janones também reconheceu que o funcionamento do grupo concentrava as decisões em sua própria figura. Segundo ele, o modelo foi adotado como uma estratégia temporária para ampliar a mobilização eleitoral, mas não representa a democracia que considera ideal.
“É um modelo transitório, necessário para a gente vencer uma eleição, necessário para a gente poder dar governabilidade ao presidente a partir de agora. Mas é um modelo que deve servir como transição”, explicou.
O deputado defendeu um ambiente digital no qual os usuários tenham liberdade para publicar conteúdos em suas próprias redes sociais. Entretanto, ponderou que ainda é necessário discutir o papel das grandes empresas de tecnologia na sociedade.
Plataformas foram questionadas pelo TSE
O funcionamento do “Exército do Lula” também esteve no centro de questionamentos durante a campanha eleitoral. A dois dias do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitou esclarecimentos às plataformas digitais sobre a atuação do canal e a mobilização coordenada de apoiadores.
Na ocasião, Meta, Google e X informaram à Justiça Eleitoral que não haviam identificado indícios de irregularidades ou violações das regras das empresas nas atividades desenvolvidas pelo grupo.
Futuro do canal foi discutido com Lula
Janones contou que já conversou diretamente com o presidente sobre quem deverá assumir a responsabilidade pelo canal daqui para frente. Segundo o deputado, a iniciativa foi construída em torno da imagem de Lula e, por isso, pertence politicamente ao presidente.
“Eu disse, olhando nos olhos dele: ‘O canal é do senhor, o exército é do Lula, tudo foi construído com o nome do senhor’”, relatou.
A reportagem do Fantástico também mostrou que o deputado enfrentou uma agenda intensa de compromissos após a eleição. Encontrado em um hotel em São Paulo, dois dias depois da votação, ele contou que acompanhou a apuração durante a madrugada e conseguiu dormir apenas uma hora e meia após a confirmação do resultado.
Inicialmente, Janones pretendia descansar no Rio de Janeiro, mas os convites para entrevistas de veículos de comunicação internacionais alteraram seus planos. O parlamentar afirmou que a repercussão da estratégia digital fora do Brasil foi uma surpresa.
Com a recusa ao convite para integrar o primeiro escalão do governo, Janones sinaliza que pretende continuar atuando diretamente no Legislativo, mantendo a participação política e a comunicação digital como frentes de sua atuação.



