A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impor restrições de viagem ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria sido determinante para a decisão do parlamentar de deixar o Brasil. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria ficado em pânico diante da possibilidade de novos desdobramentos judiciais, incluindo uma eventual prisão.
De acordo com a publicação, a possibilidade de deixar o território brasileiro começou a ser discutida poucas horas depois da derrota de Flávio na eleição presidencial de 2026. Na ocasião, ele teria conversado com o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que já defendia sua saída do país como uma estratégia para comandar a oposição a partir do exterior.
A mesma orientação teria sido apresentada pelo ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo. Inicialmente, porém, Flávio teria rejeitado a possibilidade e afirmado que permaneceria no Brasil.
O cenário mudou após Moraes determinar, a pedido da Polícia Federal (PF), medidas cautelares contra o senador, incluindo o cancelamento de seus passaportes brasileiros, a proibição de deixar o país e a restrição de contato com outros investigados. Conforme o relato atribuído a pessoas próximas ao parlamentar, a decisão aumentou o temor de que novas medidas judiciais fossem adotadas.
Foi nesse contexto que Flávio teria voltado a procurar Eduardo e comunicado que seguiria a recomendação do irmão, deixando o Brasil com destino aos Estados Unidos, acompanhado da família.
A decisão já estaria tomada quando o senador participou, na tarde de segunda-feira (26), de uma reunião com aliados políticos que tentavam convencê-lo a permanecer no Brasil. Entre os presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador Rogério Marinho e integrantes de sua equipe jurídica.
Segundo os relatos mencionados pelo jornal, os participantes não perceberam que Flávio já havia decidido deixar o país. Apesar disso, seu receio em relação às investigações e às decisões do STF era perceptível.
Outro episódio que chamou a atenção foi a gravação de um vídeo em que o senador afirmava não ter intenção de deixar o Brasil. De acordo com a reportagem, Flávio teria levado aproximadamente duas horas para conseguir ajustar o tom da declaração.
Saída do Brasil e investigação da PF
A viagem acabou acontecendo na terça-feira (27). Segundo informações da Polícia Federal, Flávio atravessou a fronteira com a Argentina e, posteriormente, embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A PF informou que não encontrou registros oficiais da passagem do senador pelos postos de controle migratório brasileiros. A corporação também confirmou que havia solicitado ao STF medidas para impedir sua saída do território nacional, diante de indícios de risco de evasão.
Flávio é investigado em procedimento que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em um caso que também envolve o advogado e empresário Willer Tomaz. O senador e o advogado negam irregularidades.
Após a chegada aos Estados Unidos, Flávio passou a sustentar publicamente que sua saída ocorreu em meio a uma suposta perseguição política e a um cenário que classificou como regime de exceção no Brasil.
A Polícia Federal, por sua vez, esclareceu que o descumprimento das restrições de viagem não transforma automaticamente o senador em foragido e que não havia mandado de prisão contra ele em decorrência dessas medidas. A corporação informou que investiga as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais.



