Afastado preventivamente da direção-geral da Polícia Federal por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Andrei Rodrigues mantém a expectativa de retornar ao cargo e, por isso, não teria iniciado a retirada de seus pertences do gabinete.
A decisão de Mendonça também afastou o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. O ministro determinou ainda a abertura de procedimentos para apurar a atuação dos dois integrantes da corporação.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (8), Andrei teria sinalizado a pessoas próximas que pretende aguardar os próximos passos do processo antes de deixar definitivamente o comando da instituição. A avaliação é de que o afastamento ainda pode ser revertido.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter a decisão de Mendonça, com votos do próprio relator, de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O julgamento, porém, foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Enquanto o caso é analisado, William Murad, então diretor-executivo da PF e considerado braço direito de Andrei, assumiu interinamente a direção-geral da corporação. A mudança, inicialmente, não provocou alterações significativas na estrutura de comando da instituição.
O afastamento ocorre em meio à escalada da crise entre Mendonça, a direção da Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes. A decisão de Mendonça teve como um dos principais fundamentos relatórios de inteligência produzidos pela PF sobre a atuação do próprio ministro e do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Mendonça afirmou que os documentos indicariam um suposto monitoramento ilegal e sistemático. A PF, por outro lado, possui uma interpretação diferente sobre o conteúdo dos relatórios, que não registram vigilância física, interceptações telefônicas ou rastreamento de localização de Mendonça.
A crise ganhou novo capítulo nesta terça-feira, quando 11 dos 13 diretores da Polícia Federal colocaram os cargos à disposição em manifestação de apoio a Andrei Rodrigues e Leandro Almada. Os dirigentes repudiaram acusações de atuação não republicana e classificaram as críticas à cúpula da corporação como influenciadas por interesses políticos.
Enquanto o julgamento não é concluído, Andrei Rodrigues permanece afastado formalmente do cargo, mas mantém a expectativa de que a decisão seja revertida e de que possa reassumir o comando da Polícia Federal.



