sábado, 7 de novembro
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A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), decidiu contestar judicialmente as acusações de participação em um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro que também tem como alvo a influenciadora e advogada Deolane Bezerra.

O advogado Bruno Ferullo apresentou, na quarta-feira (4), uma resposta às acusações formuladas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada em maio de 2026. No documento, a defesa questiona a validade das provas reunidas durante as investigações e sustenta que não existem elementos suficientes para comprovar a participação de Marcola nos crimes atribuídos a ele.

Além disso, os advogados apontam possíveis irregularidades durante a fase investigativa e solicitam acesso a materiais que, segundo a defesa, ainda não foram disponibilizados aos acusados. Também foram requeridas diligências para esclarecer os fatos e assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A manifestação apresentada por Ferullo também contempla três familiares de Marcola: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil e pelo portal Metrópoles.

Defesa questiona identificação de Marcola pelo apelido “Narigudo”

Um dos principais pontos contestados pelos advogados é a identificação de Marcola nas conversas e comunicações analisadas pelos investigadores.

Segundo a acusação, o apelido “Narigudo” seria utilizado para fazer referência ao apontado líder do PCC. A defesa, entretanto, questiona essa associação e argumenta que a utilização de um codinome atribuído por terceiros não seria suficiente para comprovar que o cliente participou das movimentações financeiras investigadas.

Os advogados também colocam em dúvida a consistência dos elementos apresentados pelo Ministério Público e aguardam uma manifestação do órgão sobre os questionamentos apresentados à Justiça.

Bilhetes encontrados em presídio deram origem à Operação Vérnix

As investigações que culminaram na Operação Vérnix começaram em 2019, depois que policiais penais encontraram bilhetes e manuscritos escondidos na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

O material continha informações sobre a estrutura interna do PCC, a comunicação entre integrantes da facção e possíveis planos de ataques contra agentes públicos. Entre as referências identificadas estava a menção a uma mulher ligada a uma transportadora.

A partir das informações encontradas, os investigadores aprofundaram as apurações e chegaram a uma empresa de transportes que, segundo o Ministério Público, teria sido utilizada como estrutura financeira para movimentar e ocultar recursos atribuídos à organização criminosa.

A investigação também identificou conversas entre familiares de Marcola e Deolane Bezerra, além de movimentações financeiras consideradas suspeitas pelas autoridades.

Em maio de 2026, a Operação Vérnix foi deflagrada para investigar o suposto esquema. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 327 milhões e o sequestro de bens relacionados aos investigados.

Em junho, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Marcola e Deolane réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As contestações apresentadas pelas defesas ainda dependem de análise judicial. As acusações fazem parte de um processo em andamento e não representam, por si só, uma condenação definitiva.