sábado, 7 de novembro
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O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta sexta-feira (6) o acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da gestora de investimentos Reag. Investigado no esquema envolvendo o Banco Master, Mansur apresentou informações sobre supostas irregularidades financeiras e citou dois políticos baianos: o senador Jaques Wagner (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).

A delação foi negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e reúne 17 anexos com documentos e relatos sobre operações financeiras envolvendo a Reag e o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. As informações foram divulgadas inicialmente pelo UOL e confirmadas por outros veículos de comunicação.

Ingressos para show de Taylor Swift

Um dos episódios relatados por Mansur envolve o senador Jaques Wagner. Segundo a colaboração, o empresário teria providenciado ingressos avaliados em R$ 63,3 mil para o show da cantora Taylor Swift, realizado em novembro de 2023, no Allianz Parque, em São Paulo.

A compra teria sido solicitada por Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, com a finalidade de presentear o senador.

Quando o assunto veio à tona, em agosto deste ano, Wagner afirmou que a situação ocorreu a partir de um pedido pessoal feito a um amigo para conseguir os ingressos. O senador também declarou que não conhece João Carlos Mansur e nunca manteve qualquer relação com a empresa Reag.

ACM Neto aparece em operações com fundo de investimentos

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto também é mencionado na colaboração por causa de sua relação comercial com a gestora de investimentos.

De acordo com as informações apresentadas por Mansur, Neto é cotista exclusivo do fundo Seattle 95, que foi administrado pela Reag até 2025. Por meio desse investimento, o político teria realizado aplicações no fundo Structure, vinculado a operações de empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

Em agosto, ACM Neto informou que o fundo Seattle 95 foi criado no final de 2021, com recursos próprios de origem declarada e lícita. A menção ao ex-prefeito na delação, por si só, não representa comprovação de irregularidade.

Daniel Vorcaro é o principal alvo da colaboração

O principal foco da delação de Mansur é o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nos documentos apresentados à PGR, o ex-dirigente da Reag descreve mecanismos que teriam sido utilizados para movimentar e ocultar recursos por meio de fundos de investimento, pessoas interpostas e estruturas financeiras no exterior.

Um dos casos mencionados envolve o Jaguar Multimarket Fund Ltd., registrado nas Ilhas Cayman, que teria recebido R$ 494 milhões do Banco Master. Formalmente, o fundo aparece vinculado a Benjamim Botelho. Entretanto, Mansur afirma que o verdadeiro beneficiário seria Vorcaro.

Como parte do acordo, o empresário se comprometeu a pagar R$ 40 milhões em multas, valor equivalente ao que afirma ter recebido da Reag durante o período em que esteve à frente da companhia. Segundo seu relato, a gestora prestava serviços ao Banco Master desde 2019, estruturando operações financeiras por meio de fundos de investimento.

Mansur foi alvo de operações da Polícia Federal

O empresário também esteve na mira de duas importantes investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Na Operação Carbono Oculto, a Reag foi investigada por suspeitas de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao crime organizado. Já na Operação Compliance Zero, as apurações se concentraram em possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A homologação do acordo ocorreu após a Procuradoria-Geral da República solicitar prioridade na análise, em razão do risco de desvalorização ou desaparecimento de ativos financeiros que poderiam ser utilizados para reparar eventuais prejuízos.

Com a decisão de Fachin, a delação passa a ter validade jurídica e as informações fornecidas por Mansur poderão ser utilizadas oficialmente no aprofundamento das investigações. A homologação, porém, não significa que as acusações tenham sido comprovadas. Os relatos e documentos ainda precisam ser confrontados com outras provas para determinar a eventual responsabilidade dos citados.

A expectativa dos investigadores é que o material entregue pelo ex-controlador da Reag ajude a esclarecer o caminho percorrido pelos recursos do Banco Master, identificar possíveis beneficiários das operações e dimensionar a participação de outros envolvidos no esquema.