quinta-feira, 5 de novembro
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A intervenção no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, provocou dificuldades para aproximadamente 2,9 milhões de clientes. Entre os afetados está a empreendedora Jhenifer Vogado, filha de brasileiros, que vive em Santa Rosa del Monday, cidade localizada a cerca de 57 quilômetros de Foz do Iguaçu, no Paraná.

A situação se tornou ainda mais delicada para a família depois que Jhenifer ficou sem acesso ao dinheiro que mantinha na instituição. Com o bloqueio da conta, ela precisou recorrer à ajuda de familiares para comprar medicamentos para o filho de apenas três anos, que estava doente.

Jhenifer e o marido utilizavam o Ueno Bank como principal instituição financeira havia aproximadamente quatro anos. A conta era usada para receber salários, pagar despesas domésticas, realizar transferências e administrar os gastos do dia a dia.

Em relato sobre o episódio, a empreendedora disse que a família foi dormir com o salário recebido no início do mês e acordou sem conseguir acessar os recursos. Segundo ela, praticamente todas as despesas da casa dependiam dos serviços oferecidos pelo banco.

A crise começou a ganhar proporções maiores depois que o Banco Central do Paraguai determinou, na madrugada de terça-feira (3), a intervenção no Ueno Bank e a abertura de um procedimento de resolução bancária. A decisão foi tomada após uma investigação identificar problemas na qualidade dos ativos, operações de crédito com empresas ligadas ao grupo controlador e falhas na documentação de determinadas transações.

A revisão apontou que o índice de solvência do banco havia caído para 5,56%, menos da metade dos 12% exigidos pela regulamentação paraguaia. Com a medida, todas as operações foram suspensas, incluindo serviços de cartões, aplicativo e movimentações financeiras.

Sem receber informações diretamente da instituição, Jhenifer afirma que descobriu o bloqueio por meio das redes sociais e passou a acompanhar o caso pela imprensa local. A falta de respostas aumentou a preocupação, principalmente diante das necessidades da família.

A empreendedora também demonstrou preocupação com outros correntistas que não possuem familiares ou conhecidos capazes de oferecer ajuda financeira durante o período de bloqueio.

“Eu não tinha cabeça para nada. Meu emocional estava abaladíssimo. Foi um sentimento de tristeza, porque, além de nós estarmos precisando, tem mais famílias que estão sem dinheiro. Por sorte, a gente tem alguém que possa nos emprestar, mas e as pessoas que não têm? Que dependiam desse salário do mês? Como essas pessoas ficam sem comida, sem acesso a remédio?”, questionou.

Pagamento aos clientes começa nesta quinta-feira

Nesta quinta-feira (5), o Banco Central do Paraguai anunciou o início dos pagamentos da garantia de depósitos aos correntistas do Ueno Bank. A primeira etapa contempla clientes com até 10 milhões de guaranis depositados, aproximadamente R$ 8,9 mil, desde que não tenham dívidas com a instituição e possuam uma conta ativa em outro banco paraguaio.

Segundo a autoridade monetária, os clientes com depósitos totais de até 228 milhões de guaranis, pouco mais de R$ 203 mil, terão direito à restituição integral dos valores dentro da cobertura prevista pelo fundo garantidor. As próximas etapas serão anunciadas posteriormente.