quinta-feira, 5 de novembro
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A denúncia apresentada pela Suavetex contra a farmacêutica Cimed ganhou novos desdobramentos e colocou o apresentador Luciano Huck e a Globo no centro de uma disputa judicial envolvendo acusações de apropriação de fórmulas industriais. A fabricante mineira afirma que informações confidenciais fornecidas durante negociações comerciais teriam sido utilizadas no desenvolvimento de seis produtos de higiene bucal lançados posteriormente pela farmacêutica.

O caso envolve uma possível negociação de R$ 120 milhões para a aquisição da Suavetex e acusações contra o presidente da Cimed, João Adibe, além de outros seis executivos. A empresa autora da denúncia também pede uma indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais, além da reparação de eventuais prejuízos materiais.

Como teria ocorrido a suposta fraude

De acordo com a queixa-crime apresentada pela Suavetex à Justiça de São Paulo, em abril de 2025, a Cimed procurou a fabricante para desenvolver seis produtos de higiene bucal com proteção de até 12 horas, contendo zinco e sem parabenos. O projeto previa três tipos de gel dental e três enxaguantes bucais.

Durante o processo de desenvolvimento, a empresa mineira compartilhou as formulações completas dos produtos, incluindo os percentuais dos ingredientes utilizados. As informações foram encaminhadas em julho de 2025 e, no último dia daquele mês, os seis itens foram notificados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sob a marca Carmed, tendo a própria Suavetex como fabricante.

Entretanto, segundo a denúncia, em 5 de agosto de 2025, João Adibe informou ao proprietário da Suavetex, Ronaldo Alves Andrello, que a marca Carmed 12 Horas seria cancelada e substituída por outra identidade comercial.

Posteriormente, os produtos teriam chegado ao mercado com o nome Super. A fabricante afirma que as formulações utilizadas seriam as mesmas desenvolvidas por sua equipe. Os registros apresentados na ação indicam que os produtos foram novamente notificados à Anvisa em outubro de 2025, dessa vez vinculados à Icefresh, empresa adquirida pela Cimed em fevereiro de 2026.

Um laudo técnico apresentado pela Suavetex identificou correspondência entre os componentes descritos nos rótulos dos produtos. O documento, contudo, não verificou as concentrações exatas das substâncias, ponto que ainda precisa ser considerado na apuração.

Negociação de R$ 120 milhões também é questionada

Outro elemento importante da disputa envolve uma possível compra da Suavetex pela Cimed. Conforme a denúncia, João Adibe teria oferecido R$ 120 milhões pela aquisição da fabricante mineira.

O empresário Ronaldo Alves Andrello afirma que aceitou a proposta em 25 de setembro de 2025, mas deixou de receber respostas do executivo cinco dias depois. Para a Suavetex, a negociação teria sido utilizada como oportunidade para obter informações estratégicas e conhecimentos técnicos sobre os produtos desenvolvidos pela empresa.

A denúncia também menciona uma tratativa anterior, de dezembro de 2024, envolvendo a aquisição de ativos da fabricante por valores que poderiam chegar a R$ 99,3 milhões.

Luciano Huck e Globo são citados no processo

A participação de Luciano Huck e da Globo na disputa está relacionada à sociedade estabelecida com a Cimed por meio da Cilab S.A., uma empresa criada para explorar marcas de produtos de higiene infantil.

A composição societária estabelece 70% de participação para a Cimed, 25% para a Globo Ventures e 5% para a Joatinga, empresa controlada por Luciano Huck. Segundo documentos apresentados no processo, a Globo investiu R$ 154 milhões na operação, enquanto a empresa do apresentador assumiu o compromisso de aportar R$ 30 milhões ao longo de cinco anos.

Huck e Roberto Marinho Neto, CEO da Globo Ventures, foram indicados como testemunhas pela Suavetex. A fabricante quer esclarecer se a mudança da marca Carmed para Super foi discutida entre os sócios da Cilab ou no Comitê de Marketing e Mídia, do qual os dois participam ao lado de João Adibe.

Apesar de terem sido citados no processo, Luciano Huck e Roberto Marinho Neto não são acusados de participação na suposta fraude. A Suavetex busca esclarecer se eles tinham conhecimento das decisões envolvendo os produtos.

Cimed, Globo e Huck apresentam suas versões

Em posicionamento divulgado à imprensa, a Cimed negou as acusações e afirmou que mantém relações comerciais com fornecedores pautadas pela transparência, boa-fé e cumprimento dos contratos.

A farmacêutica também declarou que a nova queixa-crime representa uma tentativa da Suavetex de reverter decisões desfavoráveis em disputas judiciais anteriores. Sobre a linha Super, a empresa afirmou que a marca pertence exclusivamente à Cimed, não integra a sociedade com a Globo e que a campanha exibida no Big Brother Brasil 26 foi contratada e paga diretamente pela farmacêutica.

A Globo também negou qualquer participação da Cilab na relação comercial entre Cimed e Suavetex. Segundo a emissora, a sociedade atua exclusivamente com as marcas de higiene infantil João e Maria, e seu comitê de marketing delibera apenas sobre produtos que integram esse portfólio.

Luciano Huck apresentou posicionamento semelhante, afirmando que a Cilab não possui relação com a linha Super e que sua atuação está restrita às marcas de higiene infantil da sociedade.

A queixa-crime foi distribuída à 1ª Vara Criminal de São Paulo. A disputa ainda depende de análise judicial, e as acusações apresentadas pela Suavetex não representam uma condenação dos executivos envolvidos.