A deputada argentina Marcela Pagano voltou a questionar a atuação de autoridades do governo de Javier Milei na passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pela Argentina, durante o trajeto que o levou aos Estados Unidos. A parlamentar apontou possíveis irregularidades nos procedimentos migratórios e no uso de veículos oficiais e escolta policial para transportar o brasileiro e seus familiares.
Em entrevista ao Fantástico, exibida no domingo (1º), Pagano afirmou que existem relatos e registros que levantam dúvidas sobre a operação. Segundo ela, a presença de policiais argentinos e de veículos com placas diplomáticas precisa ser esclarecida pelas autoridades do país.
A deputada também questionou como a estrutura do governo argentino teria sido utilizada durante o deslocamento da família até o aeroporto de Puerto Iguazú, de onde partiu o voo particular com destino ao Equador e, posteriormente, aos Estados Unidos.
“São esses os elementos que eu apresento para que a Justiça cobre explicações das autoridades argentinas sobre como puderam autorizar essa operação”, declarou Pagano.
A controvérsia também chegou à Justiça argentina. Inicialmente, foram solicitadas imagens das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú para ajudar a esclarecer as circunstâncias da passagem do senador pelo país.
Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a existência de três registros de entrada de Flávio na Argentina em um intervalo de 34 minutos, utilizando documentos diferentes, segundo informações apresentadas pelo Fantástico.
O governo de Milei foi questionado pela reportagem sobre uma eventual colaboração na saída do senador brasileiro. O secretário de Comunicação da Presidência argentina, Fabian Fernandez, respondeu que o governo não tinha nada a declarar.
Segundo o jornal argentino Clarín, a denúncia relacionada a uma suposta irregularidade migratória foi arquivada pelo Ministério Público, após análise dos registros oficiais. Entretanto, a apuração sobre um possível uso indevido de veículos, servidores e outros recursos públicos para auxiliar o deslocamento de Flávio continua em análise na Justiça de Buenos Aires. Até o momento, não há imputações formais contra os funcionários mencionados nessa investigação.



