quarta-feira, 28 de outubro
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Uma publicação atribuída à servidora Adriane Cobucci, que ocupava uma função de direção na Atenção Básica de Ilhéus, no sul da Bahia, provocou repercussão política e terminou com sua exoneração da função gratificada. A polêmica começou após a circulação de uma mensagem nas redes sociais que sugeria negar ajuda a eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT).

Segundo informações divulgadas pelo portal Ilhéus24h, Adriane teria utilizado seu perfil pessoal no Instagram para recomendar que apoiadores do PT não fossem auxiliados em situações envolvendo filas de regulação da saúde, solicitações de emprego e outros pedidos de ajuda.

A manifestação gerou críticas por envolver uma servidora ligada à saúde pública, área em que o atendimento deve ser garantido à população sem distinção de posicionamento político.

O episódio chegou à Câmara Municipal de Ilhéus durante a sessão de terça-feira (27). O vereador Maurício Galvão (PSB) condenou a publicação e defendeu a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar a conduta da servidora.

Durante seu pronunciamento, o parlamentar questionou se o posicionamento manifestado nas redes sociais poderia comprometer o atendimento prestado à população que possui opiniões políticas diferentes das da servidora.

Galvão ressaltou que atitudes discriminatórias são incompatíveis com as responsabilidades de quem exerce uma função pública, especialmente em um setor essencial como a saúde.

Prefeitura anuncia exoneração

Diante da repercussão, a Prefeitura de Ilhéus divulgou uma nota oficial informando que Adriane Cobucci foi exonerada da função gratificada que exercia no setor de Atenção Básica.

No comunicado, a administração municipal repudiou qualquer comportamento que represente discriminação política e reafirmou que os serviços públicos devem estar disponíveis a todos os cidadãos, independentemente de suas convicções.

A gestão também destacou que o atendimento nos órgãos municipais deve seguir o princípio da igualdade, sem diferenciação por preferência partidária, religião ou posicionamento pessoal.

A exoneração da função gratificada não significa, necessariamente, desligamento do quadro de servidores municipais. Até o momento das informações apresentadas, não havia confirmação sobre a abertura de um procedimento disciplinar.

O caso reacendeu o debate sobre a responsabilidade de agentes públicos nas redes sociais e a necessidade de preservar a imparcialidade no atendimento à população, sobretudo em serviços essenciais como a saúde.

Servidora pediu desculpas após repercussão

Em esclarecimento divulgado na terça-feira (27), Adriane reconheceu a autoria da publicação, pediu desculpas e afirmou que compartilhou o conteúdo em um momento de frustração com o resultado das eleições presidenciais.

A servidora declarou que agiu de maneira impulsiva e reconheceu que a mensagem foi ofensiva e inadequada. Também reafirmou seu compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com o atendimento igualitário aos pacientes.

A decisão de retirar Adriane da função gratificada foi formalizada pela Portaria nº 429, de 27 de outubro de 2026. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, ela permanece vinculada ao quadro efetivo do município.

A vereadora Enilda Mendonça (PT) também repudiou o episódio e informou que o partido pretende solicitar providências. Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação oficial sobre a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar.