Os Estados Unidos e outros 14 países anunciaram uma série de medidas coordenadas contra 24 organizações criminosas consideradas ameaças à segurança no continente. Entre os grupos citados estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais facções criminosas brasileiras.
A declaração foi divulgada nesta terça-feira (22), após uma reunião do Escudo das Américas realizada em Nova York, paralelamente à Assembleia-Geral das Nações Unidas. Além dos Estados Unidos, participaram Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
O documento prevê que os países participantes possam adotar, de acordo com suas próprias legislações, medidas como congelamento de bens, restrições de vistos e imigração e responsabilização criminal de pessoas que prestem conscientemente apoio material ou logístico às organizações listadas.
Além do PCC e do CV, a relação inclui grupos como a Mara Salvatrucha (MS-13), Tren de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Clan del Golfo, Exército de Libertação Nacional (ELN) e Sendero Luminoso. Ao todo, são 24 organizações mencionadas na declaração conjunta.
A medida ocorre depois de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Em maio, o Departamento de Estado americano anunciou a designação das duas facções como Terroristas Globais Especialmente Designados e informou que a classificação como Organizações Terroristas Estrangeiras entraria em vigor em junho.
Em julho, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos já havia aplicado sanções contra dois brasileiros e quatro empresas apontados como ligados a uma rede de lavagem de dinheiro associada ao PCC. Segundo o governo americano, a estrutura investigada utilizava o sistema financeiro dos Estados Unidos para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
O Brasil não participa atualmente do Escudo das Américas e não aparece entre os países signatários da declaração desta terça-feira. O governo brasileiro mantém sua própria política de combate ao crime organizado e já realizou operações contra estruturas ligadas ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
A declaração também prevê que os países levem o tema à Organização dos Estados Americanos (OEA), com a possibilidade de solicitar uma reunião de consulta para ampliar a cooperação regional contra as organizações criminosas.



