Um cabo do Exército, lotado em Salvador, é investigado por suspeita de participar de um esquema de venda de armas, munições e granadas para integrantes de facções criminosas na Bahia. As informações foram obtidas a partir da análise de celulares apreendidos durante uma investigação sobre o tráfico de drogas.
Segundo a apuração, o militar teria negociado aproximadamente mil munições de fuzil, dos calibres 5.56 e 7.62, com integrantes de uma organização criminosa. Também foram identificadas conversas sobre a negociação de granadas e armas de fogo.
O cabo foi identificado a partir de mensagens encontradas no celular de um suspeito apontado como responsável pela compra e revenda de armas e drogas para diferentes grupos criminosos. De acordo com os investigadores, o militar teria fornecido dados pessoais e uma chave Pix para receber os pagamentos.
A principal suspeita é de que parte das munições e granadas tenha sido desviada durante treinamentos militares. O material que sobrava dos exercícios deveria retornar ao paiol da unidade, mas a investigação aponta que parte poderia ter sido retirada do controle oficial.
Os investigadores também encontraram mensagens nas quais o militar faria referência a treinamentos realizados em Paulo Afonso, no interior da Bahia, e indicaria a intenção de conseguir mais material após as atividades.
A operação que avançou sobre o grupo criminoso contou com cerca de 250 agentes e resultou na prisão de 33 suspeitos. Entre os alvos estava o cabo, que já se encontrava preso por determinação da Justiça Militar.
Apesar das suspeitas, a investigação ainda busca esclarecer a origem de todo o armamento e identificar se outros militares participaram do suposto esquema. A Polícia Civil também apura se as armas negociadas efetivamente foram desviadas do Exército.
A defesa do cabo nega as acusações e afirma que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo. O Exército informou que o militar permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça.



