Produtores de cacau do sul da Bahia realizaram, nesta semana, uma manifestação em frente ao Porto Internacional de Ilhéus para protestar contra o aumento das importações de amêndoas de cacau, sobretudo provenientes de países africanos, e a consequente queda nos preços pagos aos agricultores. Conforme os organizadores, o ato reuniu cerca de dois mil manifestantes e teve como alvo navios e operações de desembarque no terminal portuário.
Os manifestantes afirmam que a entrada massiva de cacau importado tem provocado forte desvalorização da arroba, pressionando a renda das famílias que dependem da atividade na região. Em diversas falas durante o protesto, representantes de cooperativas e associações pediram a adoção de mecanismos que restrinjam a concorrência desleal e garantam preços mínimos para o produto nacional.
Além da concentração no porto, os protestos vinham ocorrendo desde o fim de semana com interdições parciais em rodovias da região, segundo relatos das lideranças locais. Os produtores cobram também maior rigor nas regras fitossanitárias e criticam benefícios como o uso do regime de drawback, que, na visão do setor, favoreceria a importação de matéria-prima sem contrapartidas claras para a cadeia produtiva brasileira.
A mobilização inclui pedidos de diálogo com o governo estadual, com órgãos federais e com compradores e processadoras, para definir medidas que reduzam o impacto das importações sobre a economia local. Em nota, lideranças disseram buscar alternativas legais e políticas públicas que favoreçam a sustentabilidade da cacauicultura no sul da Bahia. Conforme informações apuradas pelo Hora 1 Bahia, a articulação pretende levar demandas aos ministérios competentes nas próximas semanas.
Produtores alertam para risco de fechamento de contratos e perda de renda em comunidades rurais caso a atual dinâmica de importações e queda de preços se mantenha. Já representantes de algumas indústrias moageiras, entrevistadas por veículos locais, negam irregularidades nas operações e afirmam que as importações atendem a necessidades do parque industrial, ressaltando a diferença entre volumes processados e oferta doméstica. O impasse reforça a necessidade de negociação entre cadeia produtiva, agentes públicos e setores importadores.



