A Polícia Civil da Bahia concluiu a investigação sobre o desaparecimento da empresária Fabiana Correia Cardoso, de 43 anos, ocorrido em setembro deste ano, no bairro de Periperi, em Salvador, e confirmou que ela foi vítima de feminicídio. O inquérito policial foi finalizado e encaminhado ao Tribunal do Júri, com o indiciamento de dois homens pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Fabiana era empresária, conhecida na região pelo trabalho à frente de um pequeno comércio, e teve o desaparecimento registrado pela família após dias sem contato, algo considerado incomum por pessoas próximas. O último contato aconteceu no dia 11 de setembro. Diante da situação atípica, a Polícia Civil instaurou inquérito e passou a tratar o caso como desaparecimento com indícios de crime.
As investigações apontaram que Fabiana foi morta no próprio estabelecimento comercial, em Periperi, no mesmo dia em que deixou de ser vista. Ela mantinha uma sociedade com um ex-companheiro, vínculo que continuou mesmo após o fim do relacionamento. Um segundo investigado, primo do ex-companheiro, passou a frequentar o local semanas antes do crime e também é apontado como participante direto na ação.
Mesmo sem a localização do corpo, a Polícia Civil conseguiu comprovar a materialidade do crime por meio de perícias e análises técnicas. Vestígios genéticos da empresária foram encontrados em facas usadas na tentativa de desmembramento, além de marcas de sangue em um freezer onde o corpo teria sido mantido após o homicídio. A investigação também identificou tentativas de destruição dos restos mortais, com o uso de substâncias corrosivas e fogo, antes do descarte em local público.
Durante os depoimentos, os investigados apresentaram versões conflitantes, atribuindo responsabilidades um ao outro, mas as contradições foram sendo desmontadas ao longo da apuração. A Polícia Civil conseguiu reconstruir toda a dinâmica do crime a partir do cruzamento de provas periciais, diligências de campo e análises técnicas.
As prisões temporárias dos dois suspeitos foram cumpridas em outubro e novembro e, no dia 18 de dezembro, a Justiça converteu as custódias em prisões preventivas. Eles seguem presos e à disposição do Poder Judiciário.
Para a Polícia Civil, a elucidação do caso representa uma resposta a um crime de extrema gravidade e reforça que a ausência do corpo não impede a responsabilização penal quando há um conjunto sólido de provas. O caso agora segue para julgamento pelo Tribunal do Júri.



