A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima perder R$ 420 milhões em receitas em 2027 caso seja mantida a proibição das empresas de apostas esportivas, conhecidas como bets, no Brasil. A projeção foi apresentada nesta terça-feira (3), durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), que debate os efeitos da medida provisória responsável por determinar o encerramento das atividades dessas plataformas no país.
Segundo a entidade, o impacto representa aproximadamente 16% do orçamento previsto para o próximo ano. Com a saída das empresas de apostas, a arrecadação projetada pela confederação cairia de R$ 2,7 bilhões para R$ 2,28 bilhões.
Durante a audiência, o representante da CBF, o advogado Igor Mauler Santiago, afirmou que a mudança nas regras ocorreu justamente quando a entidade e as federações estaduais negociavam contratos de patrocínio para o ciclo de 2027 a 2030.
Clubes também podem perder receitas
A preocupação da CBF não se limita às finanças da própria entidade. De acordo com os dados apresentados ao Supremo, 27 dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino possuem empresas de apostas como patrocinadoras principais.
Somados, esses contratos representam aproximadamente R$ 1 bilhão, o equivalente a 35% de toda a receita dos clubes com patrocínios.
Na avaliação da confederação, a retirada repentina das empresas do mercado provocaria uma oferta excessiva de espaços publicitários disponíveis, reduzindo o valor dos novos contratos comerciais.
A entidade também alertou para possíveis consequências no mercado de transferências de jogadores. Com menos recursos disponíveis, os clubes poderiam precisar negociar atletas para equilibrar as contas, aumentando a oferta de jogadores e pressionando os valores das transferências.
CBF defende prazo para adaptação
Durante a manifestação no STF, a confederação defendeu que a proibição não seja implementada de maneira abrupta e pediu uma transição gradual, permitindo que clubes, federações e demais organizações esportivas tenham tempo para reorganizar seus contratos e buscar novas fontes de financiamento.
Como exemplo, foi mencionada a experiência da Premier League, principal competição de futebol da Inglaterra, que estabeleceu um período de três anos para retirar as empresas de apostas dos patrocínios principais das camisas dos clubes.
A CBF argumenta que uma mudança progressiva poderia reduzir os impactos econômicos sem deixar de considerar as preocupações relacionadas à saúde pública e aos efeitos sociais das apostas.
STF discute proibição das apostas esportivas
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator das ações que questionam a medida provisória no Supremo Tribunal Federal. O encontro reuniu representantes do governo, clubes de futebol, entidades esportivas e integrantes do setor de apostas.
A discussão envolve os efeitos econômicos, jurídicos e sociais da proibição. Enquanto representantes do futebol alertam para perdas financeiras e impactos sobre contratos já estabelecidos, integrantes do governo defendem a necessidade de medidas para combater os danos associados às apostas online.
A decisão sobre a validade da medida caberá ao STF, que deverá analisar os argumentos apresentados pelas diferentes partes.


