quarta-feira, 4 de novembro
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Uma grave crise financeira atingiu o Paraguai após o Banco Central do país determinar a intervenção do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais paraguaias. Com aproximadamente 3 milhões de clientes, o banco teve suas operações submetidas a um processo de resolução depois que foram identificadas irregularidades em seu índice de solvência.

A decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria do Banco Central na segunda-feira (2) e anunciada oficialmente na terça-feira (3). A medida provocou uma onda de preocupação entre correntistas, empresas e investidores, além de desencadear uma crise política no governo do presidente Santiago Peña.

O problema ganhou ainda mais repercussão depois que clientes relataram dificuldades para acessar contas, realizar transferências e movimentar recursos pelo aplicativo e nas agências da instituição.

Presidente do Banco Central apresenta renúncia

Em meio à crise, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia a pedido do presidente Santiago Peña. Carvallo, entretanto, informou que permaneceria temporariamente à frente da instituição para acompanhar os procedimentos relacionados à intervenção do banco.

A saída do dirigente aumentou os questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro. Antes de assumir o comando do Banco Central, em 2023, Carvallo havia presidido uma instituição financeira que deu origem ao Ueno Bank.

Outro ponto que passou a ser questionado envolve as relações empresariais de Peña com o Grupo Vázquez, controlador do banco. O presidente paraguaio manteve participação societária no conglomerado até março de 2025.

Diante da repercussão, Peña afirmou que os responsáveis pela crise deverão responder à Justiça, sem privilégios ou exceções.

Oito executivos são alvos de investigação

O Ministério Público paraguaio determinou a prisão de oito pessoas ligadas à direção e à administração do Ueno Bank. A investigação apura suspeitas de condutas criminosas, incluindo possível quebra de confiança e outras irregularidades financeiras.

Entre os alvos estão dirigentes e executivos da instituição, incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo Federico Miguel Vázquez Villasanti.

As autoridades também investigam operações de crédito realizadas com empresas ligadas ao grupo controlador. O Banco Central havia alertado anteriormente sobre a concessão de empréstimos considerados excessivos a companhias relacionadas aos proprietários da instituição.

As suspeitas ainda dependem de apuração e não representam, por si só, uma condenação dos investigados.

Milhões de clientes ficam preocupados com o dinheiro

Com a intervenção, os correntistas enfrentaram restrições para movimentar os recursos depositados no banco. O Ueno Bank administra aproximadamente US$ 800 milhões a US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo cerca de US$ 380 milhões vinculados ao sistema estatal de previdência e saúde.

Para reduzir os impactos sobre os clientes, o governo anunciou medidas para acelerar a devolução dos depósitos protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos.

A legislação paraguaia prevê cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por depositante e por instituição financeira, valor equivalente a aproximadamente US$ 38 mil. Estimativas preliminares indicam que cerca de 97% dos correntistas possuem valores dentro desse limite.

O governo também trabalha para garantir os recursos públicos e assegurar o pagamento dos benefícios de aproximadamente 32 mil aposentados que recebem p