A UniCesumar, instituição particular de ensino superior localizada em Maringá, no Paraná, decidiu desligar estudantes do curso de Medicina após denúncias de mensagens discriminatórias compartilhadas em grupos de WhatsApp. As conversas, que também apresentavam referências ao nazismo, foram divulgadas no domingo (25), após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As mensagens tinham como alvo colegas que ingressaram na universidade por meio de programas de acesso ao ensino superior, como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Em uma das conversas, um estudante direcionou ofensas a colegas nordestinos e fez comentários depreciativos sobre a condição socioeconômica dos bolsistas. Outro participante ironizou os beneficiários dos programas sociais, afirmando que eles seriam amparados pelo chamado “pai dos pobres”. Também houve mensagens nas quais estudantes compararam a capacidade de pagar mensalidades de aproximadamente R$ 15 mil ao mérito acadêmico.
O conteúdo compartilhado não se limitou a ataques contra estudantes de menor renda. As conversas também incluíram imagens e expressões associadas ao nazismo e a movimentos supremacistas brancos, aumentando a gravidade das denúncias.
Universidade aplica punições
A decisão foi anunciada após a conclusão de uma sindicância interna, finalizada na sexta-feira (30). A comissão responsável pela investigação recomendou medidas disciplinares, posteriormente aprovadas pela Reitoria da UniCesumar.
De acordo com a instituição, as punições incluem desligamentos do quadro discente, suspensões e advertências, aplicados conforme a gravidade das condutas identificadas. A universidade, entretanto, não divulgou a quantidade de estudantes punidos nem os nomes dos envolvidos.
Em posicionamento oficial, a UniCesumar afirmou repudiar qualquer manifestação de discriminação ou preconceito e reafirmou seu compromisso com a ética, a responsabilidade e o respeito à vida.
A instituição também esclareceu que o grupo de WhatsApp onde as mensagens circularam não é um canal oficial da universidade e não possui vínculo institucional.
Caso também chegou ao Ministério Público
As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR), que confirmou o recebimento de uma representação relacionada ao episódio. O procedimento foi autuado e estava em fase de análise, conforme informações divulgadas pela imprensa.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também manifestou repúdio às condutas denunciadas, destacando que manifestações discriminatórias são incompatíveis com os princípios éticos que devem orientar a formação dos futuros médicos.



